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Sanepar não dá mais prazo para restabelecer fornecimento de água

Renan Vallim e Cindy Annielli

| Edição de 15 de janeiro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O prazo dado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para a retomada do abastecimento de água em Apucarana dificilmente será cumprido. A expectativa era que a situação se normalizasse na manhã de hoje. No entanto, a empresa identificou novos problemas na adutora que leva a água da captação até a estação de tratamento, que deverão atrasar o restabelecimento do serviço.

Imagem ilustrativa da imagem Sanepar não dá mais prazo para restabelecer fornecimento de água

O gerente regional da Sanepar em Apucarana, Luiz Carlos Jacovassi, acreditava que a situação poderia ser normalizada nesta manhã, caso tudo ocorresse sem maiores problemas. “Nós conseguimos recuperar a adutora que havia sido levada pela enxurrada. No entanto, ao religarmos a tubulação, que trabalha sob alta pressão, percebemos que o solo cheio de lama não está dando a sustentação necessária, fazendo com que a adutora se mova. Alguns pontos inclusive chegaram a se romper. Deixar o sistema ligado seria um risco, pois poderíamos perder todo o trabalho realizado até agora”, afirma.

Segundo ele, a Sanepar precisará retirar a lama no entorno da adutora e colocar pedras e cascalho como forma de aumentar a estabilidade do solo. As rochas serão cedidas pela Prefeitura de Apucarana. “Não sabemos quanto tempo esse trabalho deverá levar. Portanto, não temos mais uma expectativa para encerramento dos trabalhos e normalização do abastecimento”, ressalta. De acordo com Jacovassi, a situação da estação de captação, que foi inundada pelo Rio Caviúna, já é melhor.

O prefeito Beto Preto acompanhou em boa parte de manhã de ontem os trabalhos da Sanepar para restabelecer o fornecimento de água em Apucarana. “Tenho confiança no trabalho que a empresa está realizando e a prefeitura está colaborando com o que é possível neste processo. Nossa cidade está passando por um momento crítico, em que cerca de 70% da nossa população, em torno de 100 mil pessoas, estão sem água”, disse. Enquanto isso, caminhões-pipa seguem como alternativa para abastecer os bairros.

Comércio têm dificuldade de repor estoque de água

Sem água nas torneiras, muitos apucaranenses procuraram supermercados e distribuidoras da cidade que ficaram com estoques zerados. Ontem, uma nova remessa precisou ser comprada para atender a demanda, conta gerente de supermercado Jeverson Misael.

“Ontem (quarta) acabou todo o estoque de garrafas e 1,5 litro e galões de 5 litros. Hoje (ontem) fizemos a reposição mas se não normalizar o abastecimento é provável que acabe rapidamente”.

Nas distribuidoras os galões cheios estão em falta. “Houve um aumento de 100% nas vendas dos galões de 20 litros e de 5 litros. Vendemos tudo”, conta o proprietário Paulo Sérgio Pereira. De acordo com ele, ontem o estoque da empresa zerou por volta das 13 horas.

As distribuidoras da cidade têm registrado procura até pelos galões vazios, adquiridos pela população para uso em fontes e outros pontos, caso do Parque Santo Expedito, onde o movimento tem sido intenso durante todo o dia.

“Estou sem água em casa desde às 10 horas de quarta-feira. E liguei nas distribuidoras e não tinha mais para vender. Então decidi buscar no parque porque não tem como ficar sem água”, conta a professora de ginástica Camila Herrera, 21 anos.

Arapongas prevê retorno na segunda

Em Arapongas, o retorno do serviço, que está indisponível para cerca de 90% da cidade, deve acontecer a partir da segunda-feira (18). “O acesso à estação de captação continua muito difícil. Estamos chegando até o local por dentro dos sítios vizinhos, pois várias pontes caíram. Estamos neste momento com a manutenção das bombas em fase adiantada. Mas ainda falta a manutenção de diversos outros equipamentos”, explica Monique Morais, funcionária da gerência regional da Sanepar de Arapongas.

Segundo ela, na madrugada de ontem, alguns bairros receberam uma pequena quantidade de água proveniente de um pequeno poço próximo à estação de tratamento. A produção do dia é liberada na tubulação à noite. “Estamos fazendo um rodízio nos bairros atendidos, mas o volume de água geralmente é pequeno”, explica.

Hoje, as equipes da Prefeitura irão disponibilizar água potável em caminhões-pipa no período da manhã, em quatro regiões: Vila Aparecida (igreja), Vila São João (escola municipal, Vila Araponguinha (CCI Feliz) e Vila Triângulo (Rua Pardal, próximo ao Salão Recanto).