De acordo com estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab), a safra de café deve render entre 4,5 mil e 5 mil toneladas do grão na região de Apucarana. Clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras, mas estiagem iniciada no mês passado pode comprometer a qualidade da produção. Agricultores iniciaram a colheita, mas reclamam da baixa rentabilidade.
Na área do escritório regional de Apucarana da Seab, foram plantados 2.750 hectares de café. O número é 6,8% menor do que na safra passada, quando o café ocupava 2.950 hectares, aproximadamente. Paulo Franzini, chefe do Deral de Apucarana, afirma que esta redução se dá por conta da renovação que muitos produtores estão realizando. “Vários cafeicultores estão em um processo de eliminação das árvores mais velhas e plantando novas mudas, com a intenção de renovar o cafezal e aumentar a produtividade nas próximas safras”, comenta.
Com isso, a produção de até 5 mil toneladas do grão também deve ficar abaixo da safra anterior, que ficou em 5,3 mil toneladas. A produtividade deve ficar entre 1,6 e 1,8 tonelada por hectare. Caso se concretize a estimativa mais otimista do Deral, a produtividade ficará cerca de 1,2% maior do que a safra anterior. Caso o pior cenário imaginado se torne realidade, a produtividade será 11,1% menor.
“Temos bons indicativos de que a produção ficará próxima da estimativa mais otimista porque o clima favoreceu a maior parte do ciclo de desenvolvimento da lavoura. Desde a florada, que aconteceu no início de outubro, até março deste ano, não tivemos problemas por conta do tempo. A estiagem registrada desde abril ajuda na colheita das lavouras que se desenvolveram precocemente, mas pode comprometer a qualidade dos grãos”, afirma Franzini.
A produção da região de Apucarana equivale a aproximadamente 8,2% do esperado para todo o Paraná. O estado deverá colher mais de 60,8 mil toneladas de café nesta safra. “Este é um panorama que se desenhou após a forte geada que aconteceu na região em 2013. Antes, tínhamos uma área bem maior de cultivo. No entanto, por conta daquela geada, muitos resolveram plantar soja e nunca mais retornaram para o café”, diz o chefe do Deral de Apucarana.
Preço abaixo
do esperado
Agricultor e diretor financeiro da Cooperativa dos Cafeicultores e Agricultores do Pirapó (Coocapi), Aléssio de Almeida Gorla afirma que alguns produtores já começaram a colheita. Já ele deve iniciar na próxima semana em algumas áreas mais desenvolvidas. O maior volume de colheita acontece nos meses de junho e julho.
Segundo ele, a falta de chuvas registrada desde abril deve prejudicar não apenas esta safra, mas também a seguinte. “O panorama para o produtor não é dos melhores. Apesar da boa produtividade dos cafezais, a falta de chuvas deve se refletir na próxima safra. A seca faz com que a planta sofra bastante e, com isso, demore para se recuperar, atrasando o início do próximo ciclo”, afirma.
Aléssio afirma que outro problema enfrentado pelos agricultores é a baixa rentabilidade. A saca de 60 quilos do café beneficiado está sendo cotada, em média, a R$ 391, valor quase 10% menor do que os R$ 429 registrados no mesmo período do ano passado. “Com o custo de produção subindo de 30% a 40% no período, o produtor está quase pagando para trabalhar. E o que é pior: sem grandes perspectivas de melhora”, aponta ele.