As mudanças climáticas registradas nas últimas semanas já afetaram diretamente o bolso do consumidor de hortifrúti. Uma breve passagem pelas feirinhas revela que o efeito clima não atinge somente as hortaliças, mas o setor de forma geral. Chuvas acima da média histórica para o mês de maio, por exemplo, atingiram a colheita de batatas. O preço do tubérculo, que tem seu consumo aumentado nos dias frios, disparou. Nos últimos sete dias, o produto registrou variações do preço, que chegou a 70%. Nas bancas, o preço do quilo está na casa dos R$ 6.
De acordo André Ribeiro Alves, responsável pelas compras do setor de hortifrúti de um supermercado, de Arapongas, o preço da batata mudou cinco vezes no prazo de uma semana, passando de R$ 120, R$ 140, R$ 150, R$220 e 205, valor pago pela saca do produto ontem. O reajuste é repassado ao consumidor. Um dos motivos da alta, segundo ele, é o excesso de chuva, que impede a colheita.
Já sobre o setor de hortaliças, que registrou perdas consideráveis no início do ano também pelo excesso de chuvas, Alves comenta que houve uma estabilização no preço. As compras nesses casos, geralmente, são feitas direito dos produtores. Diferente de frutas e legumes, que são compradas nas Centrais de Abastecimento (Ceasas). “A qualidade caiu um pouco e ainda tem faltando produto”, diz, observando que tem recorrido ao Ceasa para suprir a demanda.
Ademilto Molinari, comprador de outro supermercado, também de Arapongas, confirma que a tabela de preços mudou, em especial da batata. “Com a chuva, o preço disparou”, afirma. A auxiliar administrativa de uma frutaria, de Apucarana, Lisamara da Silva Costa, calcula que, da semana passada para esta, o preço do tubérculo subiu 38%. “O saco custava R$ 180, agora está R$ 250”, compara.
O resultado, mesmo em dia de feira, é quitanda praticamente vazia. “Nos últimos meses, o movimento caiu de 30 a 40%. O aumento de preço é sempre ruim, porque o consumidor passa a comprar menos”, avalia.
Lisamara acredita que a alta não está só relacionada ao clima, mas, de forma geral, à economia em queda. “Está difícil para o produtor, porque esfriou muito rápido e também por causa da crise”, diz.
Por outro lado, ela comenta que alguns produtos baixaram o preço, como a cenoura e o tomate. “O tomate chegou a R$ 8 kg, agora encontra tomate bom a partir de R$ 3,99”, diz. Já a cenoura passou de R$ 6,99 a R$ 3,99.
HORTALIÇAS
No campo, o produtor Edmilson Almendro explica que a produção estava começando a se recuperar, mas as chuvas dos últimos dias voltaram a comprometer a produção. Outro fator para manter o preço é o dólar alto.
“Nos últimos dois anos o preço da produção subiu muito, porque as sementes e adubos são importados”, justifica.
Consumidor atento aos gastos
O empresário Claudecir Prevital, dono de uma choperia e restaurante em Apucarana, avalia que os preços do tomate, da cebola e da batata aumentaram recentemente.
Para ele, que não tem como substituir os produtos, a alternativa é controlar os gastos, uma vez que o movimento caiu cerca de 40% no estabelecimento. “Não tem como passar o aumento ao cliente, por isso, precisei fazer um controle maior dos gastos, porque a margem de lucro caiu”, diz.
A contadora apucaranense Roseli Moreira aproveitou o dia de feira para economizar, mas mesmo assim os preços não estão atrativos. “O preço da batata e do tomate dobrou nos últimos dias”, observa.
Já a aposentada apucaranense Maria Rodrigues, de Apucarana, observa que além dos preços em alta, a qualidade segue na contramão. “Caiu bastante”, afirma.