Representantes dos trabalhadores e dos empresários do setor moveleiro chegaram nesta semana a um acordo sobre o reajuste salarial do setor. O piso da categoria irá subir 6,55%. Já para quem recebe acima do piso, o reajuste ficou em 4%. Os índices valem para 10,2 mil trabalhadores só em Arapongas.
O setor moveleiro possui dois pisos salariais. Aqueles que acabam de entrar na empresa recebiam, nos primeiros seis meses, pelo menos R$ 1.082,15. Esse valor, com o reajuste de 6,55%, passa a ser de R$ 1.153,52. Após os primeiros seis meses, o trabalhador passava a ganhar R$ R$ 1.234,20. Agora, o valor será de R$ 1.315,60.
De acordo com a convenção coletiva, para quem recebe acima do piso, o reajuste é de 4%, valor próximo à inflação do período, que ficou em 3,99%. A exceção fica para quem recebe salário acima de R$ 5 mil. Estes terão aumento fixado em R$ 200. O reajuste será aplicado retroativamente, a partir da data-base da categoria, que é no dia 1º de maio.
Segundo Carlos Roberto da Cunha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas (Sticma), o reajuste foi avaliado como “razoável”. “Não é o que esperávamos. Mas, dentro das atuais circunstâncias, foi o melhor que conseguimos”, afirma.
Segundo Carlos, o acordo foi o possível de ser obtido dentro da atual conjuntura econômica. “Apesar do reajuste ter coberto a inflação, acreditamos que os índices divulgados pelo governo não são reais. Os produtos subiram de preço acima do que diz o governo. Mas, observando a situação do polo moveleiro, foi o reajuste possível”.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Irineu Munhoz, avalia o acordo como justo devido à situação econômica do país. “Foi uma negociação longa, com várias rodadas, que possibilitou que nós chegássemos a um acordo que fosse bom para ambas as partes”, diz.
Segundo ele, a situação do polo moveleiro araponguense continua difícil. “A situação está um pouco melhor do que no ano passado, mas nada que indique uma recuperação verdadeira no setor. O cenário político complicado do país tem influenciado a atividade econômica. A alta da matéria-prima também influencia negativamente nesse cenário”, ressalta.
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) tem indicado uma situação de estagnação no polo moveleiro. No saldo entre demissões de contratações, as 18 postos de trabalho fotam cortados nas indústrias de móveis de Arapongas nos seis primeiros meses deste ano. Apesar de negativo, o número bem menor do que os 122 cortes do mesmo período do ano passado. Segundo o órgão, são 10.250 trabalhadores com carteira assinada nas 315 fábricas de móveis de Arapongas.