Os bastidores da cozinha da 23ª Festa da Cerejeira, em Apucarana, entram em ação muito antes da abertura da praça de alimentação. Voluntários se revezam para conseguir preparar cerca de 5 mil porções de sukiyaki e 3 mil de yakisoba, pratos da culinária japonesa que estão entre principais atrações dos quatro dias de evento. Ou seja, mais de 25% dos visitantes não saem da festa sem degustar ao menos uma cumbuca dos pratos. A expectativa de público gira em torno de 30 mil pessoas.
Os dois pratos levam basicamente os mesmos alimentos, o que muda é o modo de preparar e a proporção dos ingredientes. Por isso, os voluntários, durante todos os dias de festa, se debruçam sobre toneladas de verduras, que são picadas por mãos ágeis. Ontem à tarde, quinze voluntárias cortavam quilos e mais quilos de repolho, brócolis, acelga, couve-flor, cenoura, cebola e cebolinha.
A receita, principalmente do sukiyaki, que caiu no gosto dos visitantes, descendentes de japoneses ou não, não é revelada com precisão. Todos garantem que é fácil, que é só misturar os legumes e verduras com a carne. O segredo mesmo está na qualidade dos ingredientes e numa pitada extra de alegria dos voluntários, brinca a organizadora e voluntária Neusa Miyazaki, de 63 anos. “Nós esperamos o ano inteiro para participar desse momento. Para revermos os amigos. É um momento que une a colônia japonesa”, acredita.
Yoshiko Matsui, de 89, é um exemplo da doação dos voluntários para a realização da festa. Mesmo diagnosticada com bursite nos dois ombros, ela, que participa desde a primeira edição, não abre mão de participar. “Eu gosto muito de vir aqui”, garante, sem largar a faca que é usada para cortar o repolho. Com as mãos firmes, ela faz questão de fazer cortes iguais, para deixar o prato com o visual característico.
A colega Toshiko Hidaka, de 69 anos, revela que Yoshiko também é uma cozinheira talentosa e todos aprendem muito sobre a culinária japonesa com ela. Bem-humorada, Toshiko, que nasceu no Japão e veio menina para o Brasil e voltou para trabalhar no país natal na vida adulta, além de cortar os alimentos, também ajuda a preparar. “Espero o ano todo para vir aqui”, afirma.
Ela, que trabalhou como auxiliar de cozinha num hospital no Japão, garante que o trabalho não é cansativo. “Mas, se a gente ficar cansada, depois descansa na semana que vem. Aí tem bastante tempo”, diz em tom de brincadeira e com o sotaque carregado.
Para a coordenadora, é justamente esse envolvimento e doação que faz com que a festa aconteça. “É essa doação, essa alegria que faz a diferença e ajuda a manter a tradição da colônia japonesa”, diz.
Além da culinária, que é o forte da festa, os visitantes também contam com inúmeras apresentações artísticas. Hoje, o público confere várias atrações de danças típicas de dança, percussão e canto. E, às 22 horas, tem show sertanejo com Enzo Bismark.