A tradição de comer peixe ao longo da Quaresma está perdendo a força. De acordo com peixarias da região, o aumento no volume de consumidores, que antigamente chegava a triplicar durante o período, hoje em dia é bem menor e, em alguns estabelecimentos, quase inexistente. Mesmo com algumas pessoas buscando um consumo maior de peixe após a divulgação da ‘Operação Carne Fraca’ pela Polícia Federal (PF), o crescimento de clientes tem sido menor do que em outros anos.
Proprietário de uma peixaria em Apucarana, Hélio Takeguti afirma que o movimento não aumentou nada com a Quaresma, iniciada no dia 1º deste mês. “Acredito que a tradição de não comer carne esteja se perdendo entre os católicos. Já não há toda aquela influência de antigamente. São outros tempos. As famílias hoje se organizam de forma diferente, os valores são outros. Além disso, quem ainda segue com a tradição tem os grandes mercados como opção para compra, fazendo com que o comerciante pequeno sinta ainda mais”, afirma.
Laudicéia Farias é balconista de outra loja de pescados em Apucarana. Segundo ela, ainda houve aumento nas vendas durante a Quaresma, mas bem menor do que nos anos anteriores. “Nas quartas e sextas-feiras, o movimento ainda é muito bom. Mas nos outros dias da semana, o impacto tem sido bem menor. Pode ser por causa da economia como um todo, que está devagar. Mas nem a polêmica das carnes adulteradas ajudou nas vendas”, diz.
Entre os peixes mais consumidos pelos apucaranenses está a tilápia, que sai entre R$ 25 e R$ 35 o quilo. Já a merluza, também bastante procurada, fica entre R$ 18 e R$ 23 o quilo. Já a sardinha é vendida por aproximadamente R$ 10 o quilo.
Mas ainda há muitas pessoas que mantém a tradição. “Nas quartas e sextas-feiras da Quaresma, só como peixe. Faço questão de manter a tradição. Para mim, é muito importante”, diz a aposentada Umbelina Alves Machado.
Já a comerciante Jandira Pereira afirma ter o costume de comprar peixe sempre. “Sou evangélica e, por isso, não sigo a tradição da Quaresma. Mas sempre como peixe porque acho mais saudável”, afirma.
Já o aposentado Alfredo Ueharo resolveu ir até a peixaria após as notícias de adulteração nas carenes. “A gente fica meio assustado. Comprar carne pelo jeito tá complicado, então é melhor levar peixe”, destaca.