Duzentos e noventa e sete pessoas morreram no último ano nos dezessete municípios pertencentes da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, por causas externas, atrás somente das doenças do coração, neoplasias (câncer) e doenças do aparelho respiratório. O número representa um aumento de 8,39% em comparação a 2014. Acidentes de trânsito representam 57,91%, ou seja, das 297 mortes, 125 ocorrem em ruas, avenidas e estradas da região. Entre as vítimas, 73,73% são homens, em especial, jovens com idade entre 20 a 49 anos. (ver box)
De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as principais causas de acidentes com mortes nas rodovias do Paraná em 2015 são: velocidade incompatível (31,2% das mortes); falta de atenção (28,5%); desobediência à sinalização (11,2%); ingestão de álcool (10,1%); ultrapassagem indevida (9,9%), entre outros. Ainda segundo o levantamento divulgado pela PRF, as colisões frontais e atropelamentos respondem por mais de 50% dos óbitos.
Na avaliação do inspetor da PRF Edi Machado, chefe da 7ª Delegacia de Londrina, somente uma ação educativa envolvendo toda sociedade, em especial os futuros condutores, este cenário será alterado. “O tripé do trânsito é o seguinte: educação, engenharia e fiscalização. Porém, não adianta ter boas condições de tráfego, fiscalização se o motorista não tiver respeito e consciência no trânsito”, avalia.
Ele ilustra este caso com os últimos dados divulgados pela própria PRF, que mostra uma redução de 38,2% de multas aplicadas nas rodovias da região, 369 e 376. “Nós estamos fiscalizando, o que reduz o número de imprudência, mas o condutor não pode reduzir a velocidade somente quando há policiais na pista, porque não conseguimos monitorar todos os trechos. É preciso ter consciência e respeito no trânsito”, argumenta.
Ainda de acordo com Machado, ações educativas referentes ao trânsito deveriam fazer parte do currículo do ensino fundamental. “As crianças serão os futuros condutores. Somente a autoescola não é suficiente não conscientizar e formar um motorista”, afirma.
A chefe da 16ª Regional de Saúde (RS), Clara Ilza Lemes de Oliveira, também defende que a educação é essencial para inverter este quadro. “É preciso educar para evitar acidentes, porque impacta de forma acentuado na saúde pública. Esses números são os óbitos, mas não podemos nos esquecer dos feridos, que demandam de uma série de cuidados”, comenta.
Entre os cuidados Clara cita desde o atendimento feito pelo Samu, passando pela urgência e emergência, unidade de terapia intensiva e recuperação, que demanda em muitos casos de fisioterapia, isso quando não fica com uma lesão permanente. “Além de onerar a saúde pública, a família e o paciente passam por muito sofrimento, porque o tratamento para a recuperação, em geral, é longo”, diz.
Como, em geral, são jovens em idade produtiva acabam interrompendo esta fase, o que implica também em custos para Previdência Social, além de reduzir a oferta de mão de obra no mercado.
Formação e punição de condutores demandam revisão
Respeito e educação no trânsito são apontados como essenciais, porém a formação de condutores e a punição em casos de acidentes são apontadas também como necessárias para reduzir a violência e, consequentemente, os óbitos.
Quanto a formação, o inspetor Edi Machado, que trabalha há 22 anos na PRF, comenta que os acidentes com motocicletas, que engrossam a estatística óbitos no trânsito, ocorrem também por falta de capacitação adequada dos condutores. “Na autoescola, o futuro condutor aprende a pilotar a moto em um circuito fechado. Depois, ele pega a moto e vai para uma avenida movimenta ou para a rodovia, onde a situação é outra”, pontua.
Outro ponto, analisado por Machado, é a demora nos processos envolvendo acidentes de trânsito. “Quando a Justiça for mais ágil, vai contribuir para reduzir o número de acidentes”, espera. O advogado Cléber Ricardo Ballan, que também é vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Apucarana, também entende que a legislação deixa a desejar. “As leis são muito brandas. Geralmente, em casos de acidentes, o condutor responde por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas quem ingere bebida alcoólica ou não respeita as leis de trânsito está assumindo o dolo, por isso, deveria responder por homicídio doloso”, opina.
Homicídios são segunda causa de morte entre jovens
Depois do trânsito, em segundo lugar, aparecem as agressões com 67 casos. Do total, 63 vítimas eram do sexo masculino também idade jovem. Entre 19 a 49 anos, ocorreram 53 casos, o que corresponde a 79 % das mortes. Mas são os jovens com idade entre 20 a 29 que mais morrem por causas violentas. Somente no ano passado foram 19. Neste quesito estão os homicídios cometidos por arma de fogo, arma branca (facas) ou com as próprias mãos.
Na sequência estão as quedas com 57 casos. Na maioria dos casos, as ocorrências foram registradas por pessoas idosas, em especial, acima de 80 anos. Somente nesta faixa etária foram registrados 24 casos.
Já em quarto lugar aparecem o suicídio com 23 vítimas, sendo 18 homens e três mulheres.