CIDADES

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Uma família unida no tabuleiro

Fernanda Neme

| Edição de 09 de julho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Família que joga xadrez junto, permanece junto. Esse é o lema dos Ramazzotte, de Arapongas. Os irmãos Alexandre, Adriano e Ana Carmen exibem com orgulho as dezenas de medalhas conquistadas nos últimos anos por eles e também pelos filhos e sobrinhos, que seguem os movimentos dos mais velhos no tabuleiro. Juntos, eles formaram o grupo “Soberano Rei”, criado há um ano e meio em uma homenagem a Deus, já que a família é cristã. 

Imagem ilustrativa da imagem Uma família unida no tabuleiro
Família araponguense é apaixonada pelo xadrez | Foto: Sérgio Rodrigo

A família de enxadristas está se preparando para competições. Os irmãos Helen, 12, e Samuel, 7, filhos de Ana Carmen, e a prima Ester, 7, filha de Adriano, irão participar de 21 a 31 de agosto do Campeonato Mundial de Cadetes, nas categorias Sub-8, Sub-10 e Sub-12, em Poços de Caldas (MG). “Observamos que eles tinham potencial e intensificamos os treinos, até que foram para as seletivas. Acho que é raro três pessoas da mesma família irem para um mundial”, afirma Adriano. 

Considerado pelos irmãos o mais estrategista, Adriano conta que Helen enfrentou enxadristas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, e foi campeã. “Ela teve aproveitamento de 100%, fazendo 7 pontos em 7 jogos. Foi nesta seletiva que ela garantiu a vaga para o mundial e passou a integrar a Seleção Brasileira Feminina de Xadrez, na categoria Sub 12”, ressalta. 

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Samuel, Ester e Helen participarão de mundial em agosto | Foto: Sérgio Rodrigo

Em uma outra seletiva em Catanduva, interior de São Paulo, Alexandre conta que Samuel e Ester também foram muito bem e também garantiram vagas no mundial. “A Ester, por exemplo, acabou vencendo em uma categoria acima dela”, recorda. O talento de enxadristas não para por aí. A tradição no esporte também seguiu para os outros dois filhos de Adriano, Maicon, 10, e Rafaela, 7; e também para os filhos de Alexandre: Daniel, 13, Hannah, 8. 

Ele conta que Maicon tinha muita dificuldade na escola em matemática e o xadrez ajudou o garoto a melhorar as notas. “Ele melhorou significativamente na disciplina após começar a treinar xadrez. Além disso, o esporte ajuda a agilizar o raciocínio, na capacidade de cálculos e ensina a ganhar e perder”, acrescenta. 

Os treinos da turma acontecem diariamente, cada um em suas casas e nos computadores pelo software ou com tabuleiros. Porém, aos fins de semana, eles se reúnem em uma casa emprestada no fundo de uma clínica de Arapongas por ser um ambiente grande. “A gente tem mais espaço aqui e futuramente gostaríamos de ter uma sede para os encontros e treinos”, diz Ana Carmen, que é vista pelos irmãos como a “psicóloga” da turminha. 

PAIXÃO
O mais velho dos irmãos, o Alexandre, considerado o mais tático, diz que para ser um bom jogador é preciso ter paciência, disciplina e perseverança. “Há situações em que eles têm que jogar e ficar focados durante horas. É preciso muita dedicação”, explica. No entanto, paixão pelo esporte não falta. A Ester, por exemplo, diz que prefere jogar xadrez a brincar de boneca. O mais velho dos primos, Daniel, já chegou a jogar durante 7 horas seguidas.
Como os custos para participar de campeonatos são altos, os irmãos, que também são árbitros da Confederação Brasileira de Xadrez, estão vendendo o livro “A jornada de um cão feliz”, escrito pela mãe Helena Ramazzotte, que já faleceu. “Neste livro, ela conta sobre a história de nossa família pela perspectiva de “Samba”, um cachorro que tivemos por muitos anos. Nossa mãe era professora e psicopedagoga da Apae, tinha esse lado didático”, explica Alexandre.