Apucarana comemora hoje o Dia do Boné. A data foi instituída para reverenciar um dos principais segmentos produtivos do município. Já se passaram 44 anos desde o início da produção com o surgimento das primeiras fábricas em 1972. Hoje, o segmento conta com 538 empresas na cadeia produtiva, sendo 126 fábricas. O polo, que no começo só produzia acessórios promocionais, passou também a criar marcas próprias para magazines e grifes em todo o país. Apucarana produz atualmente cerca de 70% dos bonés fabricados no Brasil. O setor gera 20 mil empregos diretos e indiretos.
O primeiro boné confeccionado em Apucarana foi criado artesanalmente no porão da casa da mãe do empresário Jaime Ramos, 64. Com ajuda do amigo Wilson Fortuna, o Titu, 60, Ramos confeccionou bandanas e faixas para serem comercializados nas praias, estádios e parques de exposição.
“A aba era feita de papelão e o tecido que usávamos era 100% algodão. A gente mesmo criava os modelos e tudo era costurado com uma máquina emprestada da minha tia”, recorda Jaime. O empresário conta que buscava tecidos e produtos para produzir boné em São Paulo e também no Espírito Santo. “Hoje tudo vem da China, mas naquela época era diferente”, afirma.
Os negócios da dupla foram ganhando espaço e algum tempo o trabalho iniciado no porão de casa transformou-se na primeira fábrica de boné de Apucarana, a Cotton’s, que existe até hoje.
Para auxiliar na mão de obra, Ramos resolveu algum tempo depois criar dentro da fábrica uma escolinha para formar costureiras. “Não tinha outro lugar para elas aprenderem e, por isso, a gente ensinava tudo que sabíamos do trabalho para os funcionários”, reforça.
Em 1978, Titu saiu da sociedade para apostar na sua verdadeira paixão: o jeans. O empresário foi responsável pela criação da Titu’s Jeans, conhecida nacionalmente.
Piloto Ayrton Senna atuou como “garoto propaganda”
O empresário Antônio Carlos Macarrão Machado, 51 anos, trabalhou por mais de dez anos na Cotton’s e acompanhou a evolução do boné. Dono atualmente de duas marcas próprias de boné, Macarrão coleciona em uma pasta dezenas de matéria publicadas ao longo dos anos na mídia local e nacional. “Lembro quando o Ayrton Senna usou o boné fabricado em Apucarana e repercutiu em todo o país. Já vivemos momentos de glória”, comemora.
Hoje, o boné é visto como um acessório, mas nem sempre foi assim. “Era um produto para promocional. As pessoas queriam boné com nome de empresas, servia como um outdoor”, conta. No final de 1980 até 2000, Macarrão recorda que a indústria bonezeira passou por um período movimentado. “O acessório entrou em magazines e começou a ser muito usado por homens e mulheres”.
Nesta quinta geração de bonés, o empresário acredita que muitas das fábricas que existem em Apucarana são de ex-funcionários que trabalharam na Cotton’s. “Sem dúvida, no mínimo 100 pessoas que trabalharam com o Jaime (Jaime Ramos, proprietário) seguiram seus caminhos e abriram negócios na área depois de aprenderem com ele. Eu fui um deles”, conta.
Apucarana é reconhecida nacionalmente como a “Capital do Boné”. O setor tem papel fundamental na economia do município. “O semento gera cerca de 20 mil empregos, sendo 10 mil diretos e 10 mil indiretos”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana (Sivale), Jayme Leonel. Ele destaca também a organização do segmento em entidades, como a Associação Nacional das Indústrias de Bonés, Camisetas, Brindes e Similares (Anibb), Associação de Indústrias dos Bonés e Brindes de Apucarana (Assibbra) e o Arranjo Produtivo Local (APL).
Faroli Bonés marcou época no segmento
Outra fábrica pioneira em Apucarana foi a Faroli Bonés, criada por Tuka Fortuna, 70, irmão de Titu e de Maria Abigail Fortuna, 66. Em meados de 70, os irmãos vieram de Assis, interior de São Paulo, para Apucarana, e foi quando começaram a amizade com o pioneiro dos bonés, Jaime Ramos. O Dia do Boné é comemorado no dia 31 de janeiro, inclusive, em homenagem à Faroli, que foi fundada neste dia.
A empresária Maria Abigail conta que nunca foi dona de uma fábrica de bonés, mas pelo contato com os irmãos e Jaime acabou se envolvendo com a parte de confecção e bordado. “Viajávamos todos juntos. Enquanto eles compravam linha para o boné, eu comprava para o jeans”, explica.
Na década de 80, Maria Abigail comprou a primeira máquina de bordado. Por isso, incentivou a criação do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale). “Com as fábricas começando a abrir, precisava de pessoas capacitadas para costurar, bordar e fazer outros trabalhos. Tendo um sindicato ficava mais fácil para fazer parcerias com o Senac, por exemplo”, recorda a empresária.