Enclausurados há um ano por conta da pandemia, os idosos têm na vacina, a esperança de retomar uma vida que o risco da doença roubou. É o caso de Maria Aparecida Campoy – dona Cida, que aos 90 anos teve que pausar seus encontros com os bailes da terceira idade, devido ao coronavírus. Logo ela, que dançava nos salões desde a adolescência.
“Faz um ano que não vou dançar no clube ou no bailão que tinha no Sesc, então sinto muita falta dos amigos”, diz. Dona Cida, que já a tomou primeira dose da vacina e confia no retorno seguro. “Tem que dar certo com a vacina e acredito que é Deus agindo para a nossa saúde. Então a esperança é o que temos para podermos, depois de vacinados na segunda dose, frequentar os bailes”, comenta a animada dançarina que garante que na próxima segunda-feira estará na fila da vacina.
Ela está tão ansiosa, que já tem um vestido novo, pronto para comemorar. “Eu fiz para vestir quando voltar. Eu ganhei o corte do tecido e mandei fazer especialmente para estrear no próximo baile”, ressalta.
E não é só ela que sente a falta da rotina normal como confirma a Miss Terceira Idade 2019, de Apucarana, Maria Leonice da Silva Pedro, 62 anos. Emocionada, ela diz que até mudou de cidade para tentar disfarçar a nova rotina. “Na pandemia, mudei para Kaloré para poder ter mais espaço e quintal, onde posso me ocupar”, diz.
O sanfoneiro do bailão da terceira idade, João Pereira, o Joãozinho, também firma a esperança na vacina. “Desde março a gente não trabalha e o sentimento é de tristeza por isso. Estamos nos virando e esperando o tempo passar. Espero que logo possamos voltar”, lamenta.
A secretária da Assistência Social de Apucarana, Ana Paula Nazarko, destaca que avalia o andamento da vacinação para que sejam retomados os trabalhos para os idosos. “Depois que os idosos estiverem vacinados, tudo volta ao normal, mas como os bailes têm a participação de muitas pessoas com idades que vão desde os 50 até os 90 anos, os cuidados são maiores. Por isso é impossível retomar essa atividade que para eles é das mais prazerosas”, pontua.
Ela afirma, ainda, que a secretaria está seguindo à risca os protocolos oficiais, quanto aos cuidados para com a terceira idade. “Mas nós não vemos a hora de tudo poder ser retomado, mesmo que aos poucos e com os devidos cuidados”, diz, referindo-se as outras atividades ofertadas como os cursos de e convivência.
Ela ressalta a importância da vacinação da população idosa para a retomada das atividades. “Atividades de aglomeração, só depois da imunização e com os protocolos definidos sobre como poderemos fazer para a retomada”.
A secretaria atua em conjunto com as Unidades Básicas de Saúde (UBS), para disponibilizar profissionais de apoio aos idosos em isolamento. “A saúde pode agendar atendimentos com psicólogos para os que precisarem desse acompanhamento”, explica.