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Vítima nunca esquece da violência

Da Redação

| Edição de 03 de julho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Com 27 anos, uma apucaranense que preferiu não se identificar conviveu por dois anos com um marido com ciúme excessivo. Agora separada, mora sozinha e recomeçou a vida.

“Meu ex era muito ciumento, tinha ciúmes até da minha família. Não deixava eu ir para a igreja, não queria que eu trabalhasse. E quando eu trabalhava ele ainda pegava o meu dinheiro para comprar bebida. Foram dois anos. Duas vezes ele tentou me agredir, mas eu me defendi. Na terceira vez, ele me bateu com socos e chutes”, lembra.
Ela comenta que é muito difícil sair do ciclo da violência doméstica. “Eu gostava muito dele, mas comecei a perceber que aquilo não era amor, era doentio. Hoje eu afirmo que podemos muito mais. Podemos viver sozinhas. Essa conversa de que ele vai mudar, que é só essa vez, tudo isso é mentira. Sempre haverá uma próxima vez”.
Aos 38 anos, outra apucaranense que também prefere não se identificar completa neste mês quatro anos de divórcio. Entre namoro e casamento conviveu 10 anos com o ex-marido e considerou a relação como opressora. 
“Meu casamento era muito opressor, hoje consigo diferenciar, antes eu estava envolvida e não sabia o que era opressor. E a violência doméstica também é isso. As pessoas pensam que a violência era só apanhar. Ele não me deixava voltar a estudar, era desconfiado,” conta a mulher que resolveu dar fim no relacionamento após uma agressão. “No outro dia tomei coragem e disse que não dava mais”, lembra.