As exportações nos dois primeiros meses deste ano caíram 24,86% na região. O volume de negócios Passou de pouco mais de US$ 366 milhões para US$ 275 milhões. Por outro lado, alguns setores têm registrado aumento nas vendas, esboçando uma leve reação no cenário econômico. Os dados são do Ministério do Comércio Exterior.
Em Apucarana, em comparação ao mesmo período do ano passado, houve uma queda de 22,67%. O setor, entretanto, reagiu no mês que passou. De janeiro para fevereiro foi registrado um aumento de 13,35%.
Já na cidade vizinha Arapongas, o cenário não é muito diferente. Os números mostram uma queda de 13,56% no bimestre em relação ao ano passado.
A queda maior foi registrada no município de São Pedro do Ivaí, onde as exportações despencaram 57,03%. Nos municípios da região, apenas Jardim Alegre registrou aumento, 171%.
Apesar dos números gerais mostrarem retração, nem todos os setores são atingidos pela crise econômica. Em Jandaia do Sul, por exemplo, que registrou uma leve queda nos dois primeiros meses, há empresas que já reverteram a situação. O diretor de Comércio Exterior de uma empresa de bebidas na cidade, Francis Morales, de Jandaia do Sul, avalia que o momento está favorável para a exportação. “As vendas triplicaram neste ano”, afirma.
Uma das razões, segundo ele, é a estabilização do dólar no exterior. “Com a oscilação do dólar, as vendas ficaram retraídas, mas agora o mercado está aquecido novamente”, sublinha. Há 18 anos no mercado externo, Morales argumenta que mesmo em momentos difíceis mantém as exportações. “Se sair do mercado, não dá para voltar depois”, assinala.
Com a estabilidade da moeda americana, ele revela que também voltou a importar. “Voltamos a comprar garrafas, resina e brindes. Aumentamos em 90% as compras”, compara.
Já avaliação do empresário apucaranense Umberto Cilião Sacchelli, do setor de couros, que registrou um aumento de 7% nas exportações este começo de ano, o mercado está se restabelecendo. “O mercado não está ruim, mas é inegável que já esteve melhor”, comenta, observando que o cenário econômico no exterior não está completamente estável ainda, mas as demandas começaram a subir.
Segundo ele, o setor de couro começou a sentir os efeitos da crise em setembro de 2014, comprometendo as exportações já no início do primeiro semestre de 2015. Porém, o mercado interno não tem acompanhado a aceleração da economia internacional. “A demanda nacional caiu cerca de 25%”, diz.
Mercado internacional na mira das empresas
Trabalhar com o mercado externo não é apenas uma alternativa em tempos de dólar alto e moeda nacional desvalorizada. A afirmativa é da assessora técnica da Secretaria da Indústria e Comércio de Apucarana Marisa Zanini, que é especialista em Comércio Exterior.
Para ela, a empresa, antes de apostar no mercado externo, precisa fazer uma ampla pesquisa de mercado, de consumo e de comportamento do seu público alvo, para depois investir. Ao dar início às exportações, Marisa orienta a não sair mais do mercado externo. O motivo é simples. Segundo ela, é preciso garantir o espaço conquistado, gerando credibilidade. “A empresa precisa planejar e decidir quanto da produção será destinada às exportações e a partir deste momento não mudar”, afirma.
Ainda de acordo com a especialista, o mercado externo é sempre uma alternativa para expandir os negócios.