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A felicidade de ser ridículo

Da Redação

| Edição de 26 de maio de 2022 | Atualizado em 26 de maio de 2022
Imagem descritiva da notícia A felicidade de ser ridículo

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Em algum momento nestas linhas tortas que escrevo a você caro leitor (a) – e sim, no singular, pois quem lê o faz sozinho, em primeira pessoa, sendo assim falo com você, especificamente você – decidi ser menos técnico e mais poético, ao menos informal ao ponto de parecê-lo. Preferi assim, pois ao tratar de um assunto como a educação, números não são suficientes e dados são incompletos quando não colocamos o “eu” no centro da questão.

Você caro leitor (a) que é responsável por uma criança ou um jovem, em algum momento mudou, em algum momento deixou de ser aquele infante sonhador que não via limites para as possibilidades, tornando-se o adulto que por medo passou a dar passos mais seguros, evitando a frustação, o erro, o fracasso e a possibilidade de ser ridículo. Eu sei que é uma palavra forte, ser ridículo significa provocar o riso, ser zombado, sofrer escárnio. Tudo aquilo que fugimos quando nos tornamos adultos, pois quanto mais protegidos dos olhares do mundo, mais seguros nos tornamos.

Por medo de sermos ridículos, de recebermos os olhares dos outros sobre as nossas ações, tendemos a esconder aquilo que desejamos. Pouco a pouco, diminuímos nosso brilho para passarmos desapercebidos. O que era extravagante torna-se medíocre, comum e imperceptível. Quando foi que isso aconteceu com você?

Aos meus 16 anos eu tinha banda, tocávamos razoavelmente bem, fomos convidados a tocar na abertura do show da banda Capital Inicial, no dia 15/04/2005. Fomos vaiados por causa de erros técnicos, na plateia, mais de quarenta mil pessoas. Ainda naquele ano, tentei ser ator no Rio de Janeiro, voltei ainda mais pobre e desiludido. Esse foi o meu momento ridículo, apesar de não ser o único, foi o maior de todos. Alguma coisa em mim morreu naquele momento, pelo menos assim eu achava.

Quando crescemos, e isso é natural, fugimos do escárnio e da dor, pois já tivemos as experiências que nos direcionaram até aqui. Mas sabe qual o real problema disso tudo? Nossos filhos são privados de seus momentos de vergonha, pois não queremos que eles passem pelos mesmos problemas. Isso pode soar bonito, mas tem uma lacuna indecifrável que é o fato de sermos o que somos por causa daquilo que vivemos.

Temos depositado expectativas demais em nossos jovens com base em nossos fracassos, sem dar a eles a possibilidade de errar. Isso tem criado uma geração que não sabe o que é falhar, que não acostumados com o “não” da vida, se sentem incapazes de serem ridículos sem nunca o terem sido. Devemos apoiar os nossos jovens para que sejam os melhores – não entre os demais, mas daquilo que podem ser -, entretanto, as falhas ensinam muito mais do que as vitórias vazias de luta.

Por medo de cantar mal, param de cantar. Por medo de não serem aprovados, não tentam. Por medo de esquecerem falas, não encenam. Por medo do futuro, não vivem o presente.

Senhores pais e responsáveis, não impeçam que seus filhos errem, mas se mostrem presentes para apoiá-los quando isso ocorrer. Ninguém pode aprender a andar de bicicleta apenas na teoria, por isso cair faz parte do processo. Por mais que estejamos segurando ou com rodinhas, em algum momento eles terão que fazer isso sozinhos. Que nossos medos não se tornem os deles, mas que sirvam de lição para superá-los. Não tenha medo de mostrar fraqueza aos seus filhos, seja franco sobre isso, pois assim eles se sentirão mais normais quando elas aparecerem.

Por fim, não tenha medo de ser ridículo, pois os grandes nomes da história foram ridicularizados em algum momento, apenas na superação se tornaram grandes. Como disse Vito Corleone em cena, “grandes homens não nascem grandes, tornam-se”. Seja exemplo de superação e não de perfeição.