ABRAHAM SHAPIRO

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A carência de todos os sensos

Da Redação

| Edição de 18 de julho de 2022 | Atualizado em 18 de julho de 2022

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Quero falar algo sobre o prazer de algumas pessoas em afirmarem seu autoritarismo através da contrariedade. 

Imagine que após os trabalhos de Michelangelo no teto da Capela Sistina, o papa Júlio II dissesse: - “Está uma porcaria! Quero outra proposta!”. 

Então, o pontífice virasse as costas e deixasse o artista pensar em outra ideia sem lhe dar qualquer orientação que revelasse os critérios sobre as quais seu trabalho seria julgado posteriormente. 

Eis o dilema vivido pelas vítimas daqueles que julgam a estética sob o olhar estritamente subjetivo. Gente que, por não saber argumentar de modo lógico, apela ao julgamento pessoal sobre o que é belo e agradável; um tipo de gosto atrelado apenas ao desejo de mostrar poder.

Não existe mal algum na rejeição de um trabalho por não se ter gostado dele. O lado patético dessa postura, no entanto, reside no fato da refutação ocorrer pelo simples desejo de se sobrepor ao profissional que o executou e não deixar claro o que se esperava dele.

Discordar, pôr defeito, contestar o que quer que seja é fácil. Mas é também a prática cruel de pessoas com baixo nível de instrução. 

Quão pobres são aqueles que só têm dinheiro e acreditam ser sua fortuna imperativa. Se investissem parte desses recursos em desenvolver sua cultura, seus conhecimentos e, mais que tudo, sua capacidade de expressão, com toda certeza passariam a fazer o que fazem com o ingrediente de que mais carecem: a inteligência.