Muitas organizações orgulham-se de seus gestores veteranos que “resolvem tudo”. Eles são os heróis que destravam gargalos, apagam incêndios e salvam o dia com uma eficiência admirável. No entanto, sob uma análise estratégica, esse heroísmo é um sintoma grave de fragilidade estrutural.
O heroísmo corporativo mascara a dependência extrema. Quando o conhecimento crítico e a tomada de decisão residem exclusivamente na cabeça de poucos indivíduos, a continuidade do negócio fica sob constante ameaça. Se um desses pilares se ausenta por doença ou aposentadoria, a estrutura colapsa, pois os processos existentes muitas vezes não operam de forma autônoma.
A resistência em formar sucessores raramente é falta de tempo; trata-se de proteção de identidade e manutenção de poder. Ser indispensável gera uma percepção de segurança, enquanto desenvolver outros é visto como uma ameaça à própria relevância. Infelizmente, muitas empresas alimentam esse ciclo, aplaudindo quem apaga o fogo em vez de premiar quem desenha sistemas que evitam o incêndio.
Para mitigar esse risco, a solução deve ser estrutural. O desenvolvimento de sucessores precisa ser uma exigência formal, com métricas claras e documentação rigorosa de processos. É necessário mudar o paradigma do prestígio interno: o gestor de excelência não é aquele que se torna central para todas as soluções, mas aquele que constrói um sistema tão robusto que ele mesmo se torna dispensável.
Resultados imediatos são fundamentais, mas enquanto a sua empresa for refém de heróis individuais, a organização não terá resiliência nem futuro garantido. O verdadeiro legado de um líder é a autonomia da equipe que ele deixa para trás.