ABRAHAM SHAPIRO

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Não negocie com chantagistas

Da Redação

| Edição de 26 de janeiro de 2026 | Atualizado em 26 de janeiro de 2026

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Você já pagou “resgate” para que sua equipe faça o óbvio?

-”Não ganho para isso.” Quando um funcionário solta essa frase diante de uma tarefa comum, ele não está discutindo salário. Está instalando pedágio na sua empresa. A partir daí, cada entrega vira concessão. Cada obrigação vira favor negociável.

O perigo não é o custo de um aumento. É o contágio dessa mentalidade.

E agora? Você cede para manter a paz? Se fizer isso, validou a chantagem.

Em semanas, a sua autoridade gerencial se dissolve numa negociação permanente. A empresa passa a pagar duas vezes: o salário e o prêmio por cumprir o combinado na contratação.

Essa lógica não é financeira. É de poder.

Funcionários que usam vitimização como moeda de troca ou querem status que não merecem ou estão escondendo incompetência. Responder com reajuste? Você não está comprando lealdade. Está financiando rebeldia. Porque aqui está o que ninguém lhe conta: esse comportamento se espalha.

Outros veem que funciona. Começam a testar limites. A cultura da empresa vira um leilão diário de obrigações básicas. E você? Fica refém de quem deveria estar gerenciando.

A saída não é negociação. É clareza. Faça o funcionário cumprir o papel contratado. Meça desempenho do modo mais objetivo possível. Sem drama. Sem exceções. Se ele entregar, ótimo. Se não entregar, consequência.

Porque limites não são negociáveis. Terrorismo corporativo também não.

O dia que você aceita “não ganho para isso” como argumento válido é o dia que perde a empresa. E perde calado, um pedágio de cada vez.