ABRAHAM SHAPIRO

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Opinar? Para que?

Da Redação

| Edição de 30 de maio de 2022 | Atualizado em 30 de maio de 2022

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Não sei você, mas o meu cérebro e o de todos os que conheço são verdadeiros vulcões de opiniões. Eles cospem pontos de vista sobre tudo, sem parar. Não faz a menor diferença se as questões são relevantes ou não, razoáveis ou absurdas. São como aqueles canhões de confetes em festas de formatura.

Eu tenho aprendido muito nesses tempos em que as questões mais provocativas vêm à tona – seja na conversa entre amigos, seja nas mídias sociais.

A primeira lição é não expressar opinião sobre temas que não conheço e pelos quais não tenho interesse.

Outra é: não emitir opiniões sobre o que é impossíveis saber. A bolsa de valores vai permanecer em alta? Os ET´s estão entre nós? O próximo inverno será mais frio? Nem os especialistas sabem. O Google, muito menos. Para que eu tenho que me meter num papo desses?

A terceira grande lição é: não querer dar resposta precipitada numa discussão porque nós temos uma tendência a escolher rapidamente um dos lados e aí começamos a falar coisas insustentáveis. Só mais tarde, quando a coisa esquenta, é que pensamos em buscar os motivos que fundamentam a nossa posição.

Opiniões rápidas quase sempre são equivocadas e por isso desastrosas. Mas esta não é a principal razão porque eu passei a refrear a minha incontinência verbal. Quer saber? Eu lhe digo. Não quero mais ter opiniões prontas. Isso me deixa em paz, reduz as chances de conflito e leva a me concentrar na pesquisa do que é do meu interesse afim de que eu aprenda corretamente... e não para sustentar a vaidade pessoal – que é um veneno a qualquer ser humano.