Ao contrário do que muitos imaginavam, apenas dois dos 513 deputados que compõem a Câmara Federal se ausentaram da votação de ontem para abertura ou não do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Compareceram para a votação 511 deputados. Os dois faltosos foram Anibal Gomes (PMDB-CE), que estaria com problema de saúde, e a deputada Clarisse Garotinho (PR-RJ), que está na 35ª semana de gravidez e apresentou atestado médico. Os dois faltosos eram considerados votos contrários à abertura do processo de impeachment. Para aprovação do parecer do relator, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), seriam necessários 342 votos favoráveis. O parecer de Arantes é pelo acolhimento da denúncia dos juristas Hélio Bicudo, Reale Júnior e Janaína Paschoal, que pede o impeachment da presidenta Dilma Rousseff por crime de responsabilidade.
SURPRESAS
Na votação da bancada paranaense sobre o impeachment da presidente Dilma, ocorreram pelo menos duas surpresas. Os deputados Ricardo Barros (PP) e Sérgio Souza (PMDB), que sempre foram ligados ao governo, votaram a favor do impeachment. Barros, inclusive, estava cotado para assumir o Ministério da Saúde. Sérgio Souza entrou no cenário político pela senadora Gleisi Hoffmann (PT), de quem é suplente.
MINISTRO “MUI AMIGO”
Ministro do governo Dilma Rousseff até a última quinta-feira, Mauro Lopes (Aviação Civil) votou a favor do impeachment da presidente. Lopes se licenciou do cargo para votar contra o andamento do processo de impedimento de Dilma e era considerado “voto certo” pelo Palácio do Planalto. No entanto, o vice-presidente Michel Temer e seu núcleo político iniciaram uma série de negociações e converteram o voto do então ministro.
ENFIM, TIRIRICA FALA
Depois de cinco anos e três meses de mandato, o deputado Tiririca (PR-SP) finalmente fez uso de um dos microfones do Plenário da Câmara. E, ao romper o “silêncio”, o recordista de votos no País proferiu apenas sete palavras – uma média de pouco mais de uma palavra por ano. “Pelo bem de meu país, voto sim!”, caprichou Tiririca, festejado em plenário ao anunciar seu voto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
PAPAGAIO DE PIRATA
Posicionado estrategicamente ao lado do microfone onde os deputados declaravam seus votos na sessão que discutiu o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Fabrício Oliveira (PSB-SC) é suplente e não tinha direito a opinar sobre o prosseguimento ou não do pedido de afastamento da petista.
CANDIDATO PRÓPRIO
O líder do PDT na Câmara dos Deputados, Weverton Rocha, informou durante seu discurso na sessão que decidiu sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff que o seu partido terá candidato próprio nas eleições presidenciais de 2018. Segundo ele, Ciro Gomes deverá se o nome do partido para disputar a presidência.
GLOBO HOSTILIZADA
Um grupo de manifestantes contra o impeachment hostilizou uma equipe da TV Globo na tarde de ontem no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo. O local concentrava os grupos que se opõem à saída da presidente Dilma Rousseff (PT). Em Curitiba manifestantes também protestaram contra a emissora levando cartazes e gritando palavras de ordem contra o canal.
PASSEIO DE BICICLETA
A presidente Dilma Rousseff manteve o hábito quase diário de pedalar logo cedo e saiu de bicicleta pelas proximidades do Palácio da Alvorada na manhã de ontem, dia em que a Câmara ia decidir sobre instaurar ou não o processo de impeachment. Dilma saiu de bicicleta no início da manhã acompanhada dos seguranças.
SÍNDROME DO PODER
Paulo Reis, que ficou famoso durante a campanha eleitoral de 2010 com o hit do YouTube “Dilmaboy”, em homenagem à então candidata do PT Dilma Rousseff, afirma que o processo de impeachment da presidente é fruto de um “vale-tudo pelo poder”, conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “A síndrome do pequeno poder do presidente da Câmara, que acredita estar acima de todos, está quebrando o País”, disse.
MORO OVACIONADO
O juiz federal Sérgio Moro foi aclamado na saída de uma pizzaria em Curitiba na noite do último sábado. Ao sair do local várias pessoas aplaudiram o trabalho do magistrado que conduz a operação Lava Jato, que tem como base a capital paranaense. Moro agradeceu o apoio e deixou o local acompanhado de seus familiares e seguranças.