No dia 8 de outubro, celebramos o Dia do Nascituro, encerrando a Semana Nacional da Vida, promovida pela Igreja no Brasil. Neste ano, somos convidados a refletir sobre o tema “O sentido da vida”, iluminados pelas palavras de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Em uma sociedade marcada por tantas situações que ameaçam a dignidade humana, esta celebração nos recorda uma verdade fundamental da fé cristã: toda vida é um dom precioso de Deus, que deve ser acolhido, respeitado, protegido e amado desde a concepção até a morte natural. O Dia do Nascituro nos convida a voltar o olhar especialmente para a vida humana que começa a se desenvolver no ventre materno.
Antes mesmo de nascer, cada criança já possui uma dignidade que não depende de suas condições de saúde, de suas capacidades ou das circunstâncias em que foi concebida. Como nos recorda o salmista: “Fostes vós que formastes meus rins e me tecestes no seio de minha mãe” (Sl 139,13). A vida humana não pode ser medida por critérios de utilidade ou conveniência, pois seu valor está na própria dignidade de cada pessoa, criada e amada por Deus. Entretanto, defender a vida não significa apenas afirmar princípios, mas também assumir compromissos concretos.
É preciso olhar com atenção para as gestantes que enfrentam dificuldades, para as famílias em situação de vulnerabilidade, para as crianças que necessitam de proteção e para tantas pessoas que vivem na solidão, na pobreza ou no abandono. Uma Igreja verdadeiramente comprometida com a vida é aquela que acolhe, acompanha e cuida. Nossa fé precisa se traduzir em gestos de solidariedade, em políticas e iniciativas que promovam a dignidade humana e em comunidades onde ninguém se sinta sozinho diante de suas dificuldades.
A Semana Nacional da Vida é também uma oportunidade para redescobrirmos nossa responsabilidade como cristãos. Em nossas famílias, paróquias e comunidades, somos chamados a construir uma verdadeira cultura da vida, capaz de superar a indiferença e a chamada cultura do descarte. Isso exige reconhecer a presença de Cristo especialmente nos mais frágeis e compreender que a defesa da vida não é missão de apenas uma pastoral ou de um grupo, mas responsabilidade de toda a Igreja. Valorizar a vida é reconhecer que cada existência possui um sentido, uma história e um lugar no coração de Deus.
Neste Dia do Nascituro, confiemos todas as crianças que estão sendo geradas, suas mães e seus pais à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Maria, que acolheu em seu ventre o Filho de Deus e respondeu com generosidade ao chamado divino, é para nós exemplo de confiança, cuidado e amor à vida. Que ela proteja as gestantes, fortaleça as famílias, console aqueles que enfrentam dificuldades e ensine nossas comunidades a serem lugares de acolhimento e esperança. Sob seu olhar materno, que jamais nos falte a coragem de defender, promover e celebrar a vida, reconhecendo em cada ser humano um dom precioso do amor de Deus.
+Dom Carlos José