BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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“Bem Aventurados os que promovem a paz”! (Mt 5,9)

Da Redação

| Edição de 14 de janeiro de 2026 | Atualizado em 14 de janeiro de 2026

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A humanidade avança a passos tão ligeiros que chega a ser quase impossível acompanhar os acontecimentos e descobertas que permeiam o dia a dia. Quase tudo se renova, se transforma e muda num piscar de olhos. Quase, pois o que não muda é o desejo de Deus para o homem, o Amor de Deus pelo homem é de sempre e para sempre!

Deus nos fez para a salvação eterna, para que vivamos em paz neste mundo e alcancemos a glória eterna, com Ele, nos Céus! Embora pareça que, esquecidos dessa realidade Divina com a qual deveríamos nos ocupar, nos preocupamos com outras ocupações vãs e passageiras.

Andamos mais ‘armados’, meio que prontos a revidar qualquer coisa que nos contrarie ou que não nos agrade, fechados ao perdão e à misericórdia. Criamos uma bolha de proteção tão forte e nos isolamos do outro, do próximo e do mundo em geral.

Somos chamados pelo Papa Leão XIV a reeducar nossa consciência, a olhar o mundo com os olhos do Criador. É nossa responsabilidade cuidar uns dos outros e, quando a dor do outro não dói em nós, algo está muito errado dentro de nós! Reeducar a consciência é tomar posse do dom da caridade e agir com misericórdia.

A paz se faz com diálogo e perdão, se inicia com quem tem coragem e humildade de dar o primeiro passo, começando pequeno para atingir grandes avanços, assim deveria ser. Embora hoje não sejam poucas as pessoas com o coração pronto para a paz, um grande sentimento de impotência as invade diante do curso cada vez mais incerto dos acontecimentos mundiais.

Quando tratamos a paz como um ideal distante, acabamos por não considerar escandaloso que ela possa ser negada e que até mesmo se faça guerra para alcançá-la. ‘Juntamente com a ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas. Em todo o mundo, é desejável que cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão’ (Papa Leão XIV).

Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia. Dificuldades, diferenças sociais e financeiras sempre existiram e sempre irão existir nesse mundo. O que não deve extrapolar é o sofrimento de milhares de irmãos mundo afora por razões egoístas depositadas em mãos e corações fechados.

A paz é fruto da misericórdia que é um dom que, quanto mais se reparte e se usa, mais cresce em benefícios de muitos! O dia em que o homem se der conta que, agindo com benevolência e misericórdia, tudo será transformado em bênçãos para si e para os seus, perceberá que o que se adquire através da violência e da guerra é fruto do maligno e não perdura, não é Divino. E, o que não é Divino, não é um bem duradouro. A paz dada por Cristo não é a do mundo, não é passageira é a Paz que vem do Alto e não se toma na força! Fosse assim, Ele mesmo não se teria dado para morrer na Cruz!