BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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Copa do Mundo e valores humanos

Da Redação

| Edição de 10 de junho de 2026 | Atualizado em 10 de junho de 2026

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A realização de mais uma Copa do Mundo desperta paixões, une povos e mobiliza milhões de pessoas em todos os continentes. Durante algumas semanas, idiomas, culturas e tradições diferentes encontram um ponto comum em torno do esporte, revelando a capacidade humana de celebrar, competir e sonhar juntos. 

Embora seja um evento esportivo, a Copa do Mundo oferece também uma oportunidade para refletirmos sobre valores humanos fundamentais que ajudam a construir uma sociedade mais fraterna e solidária. Poucos sabem que as origens da Copa do Mundo possuem uma interessante ligação com a tradição católica. O principal idealizador do torneio foi Jules Rimet, presidente da FIFA entre 1921 e 1954. Homem de profunda formação cristã e inspirado pelos princípios da Doutrina Social da Igreja, Rimet acreditava que o esporte poderia ser um instrumento de aproximação entre os povos, especialmente após os traumas provocados pela Primeira Guerra Mundial. 

Seu sonho era criar uma competição internacional capaz de favorecer a amizade entre as nações, promover o respeito mútuo e fortalecer a paz. Não por acaso, o primeiro troféu da Copa do Mundo recebeu seu nome, tornando-se símbolo desse ideal de fraternidade universal. Ao longo da história, o futebol mostrou sua capacidade de aproximar pessoas de diferentes culturas, condições sociais e nacionalidades. 

Em um mundo frequentemente marcado por conflitos, divisões e intolerâncias, o esporte recorda que é possível competir sem destruir o adversário, vencer sem humilhar e perder sem desistir da esperança. Valores como disciplina, perseverança, trabalho em equipe, respeito às regras e solidariedade são aprendidos dentro e fora dos gramados e contribuem para a formação integral da pessoa humana. 

A Doutrina Social da Igreja ensina que toda atividade humana deve estar orientada para a promoção da dignidade da pessoa e do bem comum. Sob essa perspectiva, o esporte possui uma importante dimensão educativa. 

Quando vivido de forma saudável, ajuda a desenvolver virtudes humanas, fortalece os vínculos comunitários e promove a cultura do encontro tão incentivada pelos últimos pontífices. 

Entretanto, a Copa do Mundo também nos convida à vigilância. O esporte perde sua beleza quando é dominado pela violência, pela corrupção, pelo racismo, pela intolerância ou pela busca desenfreada do lucro. O resultado de uma partida jamais pode valer mais do que a dignidade de uma pessoa. A verdadeira grandeza do esporte não está apenas nos títulos conquistados, mas na capacidade de despertar o melhor do ser humano. Que a Copa do Mundo nos recorde que somos membros de uma única família humana. Que as diferenças entre povos e culturas não sejam motivo de divisão, mas ocasião de encontro e enriquecimento mútuo. E que o espírito de fraternidade, respeito e cooperação que inspira o esporte possa ultrapassar os limites dos estádios, alcançando nossas famílias, comunidades e relações cotidianas. Mais do que torcer por uma seleção, somos chamados a construir um mundo em que todos possam vencer naquilo que realmente importa: a promoção da dignidade humana, da justiça, da paz e da fraternidade entre os povos.