O médico Dr. Rosinha (PT) é o primeiro entrevistado da sabatina promovida pela Tribuna do Norte e portal TNOnline ao candidatos ao Senado. Durante a conversa, o ex-parlamentar abordou temas como infraestrutura, saúde, agricultura, segurança pública e política internacional.
Ele defendeu fortemente a regionalização do atendimento médico para evitar o transporte arriscado de pacientes pelas rodovias, criticou o distanciamento dos atuais senadores Sergio Moro e Oriovisto Guimarães, e reforçou o alinhamento de suas propostas com o governo do presidente Lula. Além disso, destacou sua experiência no Mercosul para propor acordos bilaterais de saúde nas fronteiras.
TRIBUNA DO NORTE/TN: Doutor Rosinha, o que motivou a volta do senhor a uma disputa direta, especificamente para o Senado Federal?
DR. ROSINHA: Boa parte do povo do Paraná sabe da minha história política parlamentar. Desde o golpe contra a Dilma, vem ocorrendo uma polarização muito preocupante na política brasileira. De um lado, coloca-se a extrema direita radicalizada, construindo o ódio; do outro lado, as pessoas que defendem a democracia, uma vez que Bolsonaro tentou um golpe. Com a minha história política e com esse cenário polarizado, ao receber o convite do PT e dos partidos aliados, entendi que poderia contribuir para o debate político, para diminuir essa polarização e, sendo eleito, contribuir com o Paraná não só na política, mas na questão estrutural. Até porque quero ser o senador do Paraná junto com a Gleisi e no governo do Lula.
TRIBUNA DO NORTE/TN: Como o senhor pretende tratar as pautas do interior do Estado na sua campanha?
DR. ROSINHA: É uma pauta bastante diversificada e regionalizada. Mas há algumas que são gerais, por exemplo, a questão da infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. A infraestrutura vem de muitas promessas, há mais de 30 anos. Quando o Jaime Lerner fez a concessão para o setor privado, havia no contrato a obrigatoriedade de duplicar várias estradas, entre as quais a BR-277. Isso nunca aconteceu. Na questão da saúde, nós entendemos que o nosso Estado nunca se preocupou em regionalizar o atendimento e continua estimulando o transporte de pacientes. Isso tem causado acidentes graves, como na semana passada, matando 23 pessoas. O Paraná não precisa transportar essas pessoas. E na segurança pública, o Lula propôs o pacto contra o feminicídio, e o Estado do Paraná não assinou o pacto no tempo devido. Foi assinar há poucos dias, por pressão da oposição. Nesse período, sem esse pacto, o número de feminicídios no Paraná aumentou 17%, enquanto no resto do Brasil diminuiu.
TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor falou um pouco sobre saúde. Como médico, o senhor sabe da sobrecarga que o SUS enfrenta. Quais são suas propostas para descentralizar os recursos de média e alta complexidade federais?
DR. ROSINHA: O SUS é pactuado entre União, estados e municípios. Sobre a alta complexidade, eu creio que o Paraná está bem atendido. Nós temos muitos serviços de alta complexidade regionalizados no Estado. A média complexidade é que cria o problema do transporte que eu falei. Tem que ter a regionalização, e os municípios têm que trabalhar na construção de consórcios. Nós já temos vários consórcios, mas precisamos melhorar os existentes e construir mais alguns, para que a população não fique transitando em estradas perigosas.
TRIBUNA DO NORTE/TN: Nós estamos aqui na região do Vale do Ivaí, que concentra tanto grandes produtores rurais quanto pequenos agricultores. Como o senhor pretende incentivar esses dois tipos de agricultura no seu mandato?
DR. ROSINHA: O agronegócio, que é a grande agricultura, tem sido muito bem atendido pelo governo federal. Vou dar uma noção geral do que tem acontecido sobre a questão de investimentos no Paraná, porque às vezes as pessoas não têm informação e alguns políticos mentem para a população. Por exemplo, o orçamento total do Poder Executivo aqui do Paraná foi de R$ 80 bilhões para este ano. O orçamento fiscal em quatro anos foi de R$ 183 bilhões no Paraná. E o governo federal colocou quase o dobro disso, R$ 328 bilhões. Só de crédito rural foram R$ 167 bilhões Como senador vou me reunir com os setores produtivos, vamos discutir esses investimentos e as necessidades deles. Serei um senador do Paraná. Não vou trabalhar contra o Estado. Eu farei a defesa da agricultura familiar, da agroecologia, e defenderei manter ou expandir a produção das grandes empresas do agronegócio que já existem.
TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor presidiu o Parlamento do Mercosul. De que forma essa bagagem em diplomacia comercial pode se traduzir em oportunidades de exportação para a indústria e o agronegócio paranaense?
DR. ROSINHA: Política internacional não se faz com ideologia. Você faz a política internacional com os interesses da nação. Por exemplo, a Argentina é um dos maiores importadores do Brasil. E o Milei, o que ele está fazendo? Ele está fazendo política exterior com ideologia e com ódio. Ele está completamente errado em fazer isso. Como parlamentar do Mercosul, nós trabalhamos com integração. E integração significa que ambos os países se sintam vitoriosos, que nenhum se sinta prejudicado. A outra questão que temos que debater são as fronteiras. Vemos hoje, por exemplo, na fronteira com o Paraguai, todos aqueles municípios se queixando — e com razão — da quantidade enorme de pessoas atendidas que não moram no município. Claro que não podemos deixar de atender, mas para atender tem que ter um acordo bilateral entre o Brasil e o Paraguai. Quais são os serviços que vamos oferecer pelo SUS e qual será a maneira de compensar esses serviços?
TRIBUNA DO NORTE/TN: O atual Senado paranaense tem sofrido muitas críticas pelo distanciamento da população. O senhor concorda com isso e o que pode mudar?
DR. ROSINHA: Eu concordo, em absoluto. O Sergio Moro e o Oriovisto sequer aparecem para ouvir os empresários paranaenses ou os trabalhadores do nosso Estado, que têm as suas organizações. Eles não têm nenhuma atuação em nível de fronteira. Aliás, o Moro não conhece o Paraná e nem o povo do Paraná. É uma nulidade. Vai para Cascavel e diz que foi visitar a Santa Casa de Cascavel, sendo que Cascavel não tem Santa Casa. Ele vai a Paranaguá e não sabe que quem nasce em Paranaguá é parnanguara; ele pensa em parnanguara e chama de “índio”, de tribo de índio. Eu vou trabalhar de forma completamente diferente deles. Vou trabalhar ouvindo os municípios, ouvindo as autoridades paranaenses, sejam municipais ou estaduais, e a população que mora aqui. A população vai votar em mim, eu não posso virar as costas. Há demandas populares que levarei para o Congresso Nacional e farei a disputa para que sejam atendidas.
TRIBUNA DO NORTE/TN: Candidato, o espaço está aberto para as suas considerações finais aos eleitores paranaenses.
DR. ROSINHA: O recado principal é que, com o Lula, o Brasil diminuiu a inflação, reduziu o desemprego e a economia cresceu. Compare o preço da gasolina e do gás de cozinha hoje com o governo anterior e veja que seu bolso está melhor. O Paraná recebeu muitos recursos federais, como R$ 1 bilhão investido na Farmácia Popular só no ano passado. Aqui no Estado, apoio o Requião Filho para governador. O atual governador, Ratinho, mentiu: disse que não ia privatizar a Copel e privatizou, deixando a energia mais cara e com falhas. Privatizou a Sanepar e encareceu a água. Entregou escolas públicas para a iniciativa privada ganhar dinheiro. Por isso, peço o voto para nós, para mim (132) e para a Gleisi (131) no Senado, para defendermos as pautas do governo Lula no Congresso. Muito obrigado à Tribuna do Norte pela oportunidade.