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GUILHERME BOMBA: Amadurecer não é tão fácil como parece

Da Redação

| Edição de 07 de julho de 2022 | Atualizado em 07 de julho de 2022

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Nesta semana meu texto possui um personagem principal... EU. Sim, caro leitor, sei que sempre escrevo sobre mim, mas algo nesta semana mexeu demais comigo, na reflexão sobre minha trajetória e a cobrança que faço muitas vezes sobre meus colegas, alunos e, principalmente, meus filhos. Reencontrei uma amiga que ia na mesma van que eu para a Universidade Estadual de Londrina, quando fiz o caminho inverso me mudando para Apucarana em meio ao curso de História. Inês, um pouco mais experiente, sempre mais calada, era um ponto de equilíbrio em meio a bagunça gerada nos bancos do fundo e, para quem me conheceu nesta época, sabe bem onde eu me sentava. 

A primeira coisa que disse à Inês quando a vi foi: “me desculpe, eu era muito jovem”. Envergonhado por saber que posso ter atrapalhado noites de sono, já que chagávamos muito tarde de Londrina, já mencionei em primeiro o que me afligia. Um pouco mais de conversa, Inês disse que não apenas lia os meus textos, como em alguns casos o recortava, assim como os de minha esposa, que divide a coluna comigo. Naquele momento me tranquilizei, pois, aparentemente, pude mostrar que havia amadurecido. E isso mexeu comigo, afinal, o que é amadurecer?

Sempre ocupei um espaço – atribuído, nunca solicitado – de ser o brincalhão engraçado, feliz em todos os momentos, despreocupado e por aí vai. Houve momentos que sentia a Síndrome do Peter Pan, aquele que não quer crescer. Não confunda isso com ser irresponsável, pois trabalho desde os quatorze anos, mas com a necessidade de ser prender a um estigma que o caracteriza. Minha filha, Anna Beatriz, de apenas sete anos, divide a atenção com os dois irmãos menores. Sem querer, me vi cobrando dela uma responsabilidade muito além de sua idade. Como resposta, já obtive até mesmo a reprodução de uma voz infantilizada, com sons de bebê, como que inconscientemente ela buscasse marcar o seu lugar de meu bebê. 

No colégio, principalmente após a pandemia, vimos muitos alunos que taxamos de infantis, como sinônimo de irresponsáveis ou pouco preocupados com suas “obrigações”. Nosso olhar é sempre daquilo que esperamos do outro, mesmo que eles ainda não estejam prontos para dar. Meus alunos não viveram muitas experiências que os possibilitariam compreender melhor essa fase adolescente e, em um passe de mágica, tornaram-se pequenos projetos de adultos com muita coisa a cumprir. O problema não é ter que cumprir obrigações, mas não perceber sua necessidade. 

Nós adultos sofremos também por não amadurecer, não naquele sentido, mas enquanto indivíduos que possuem emoções, vontades e obrigações. Qual foi a última vez que falamos não para algo que não queríamos fazer? Normalmente sofremos por dizer sim, mesmo que isso vá contra nossa vontade, apenas para agradar os demais. A maturidade não é fácil, nem surge do nada, ela é a soma das experiências, é o resultado do ontem. Permitir que uma pessoa amadureça é entender que cada coisa tem sua fase e, lembrar que todos nós passamos por cada uma delas. O amadurecimento surge da dor, do amor, da empatia, da solidão... o amadurecimento não é algo fora, é o próprio indivíduo. 

Obrigado Inês por me deixar amadurecer aos seus olhos.