GUILHERME BOMBA

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Mãos suaves, presença firme: o equilíbrio que a educação perdeu

Da Redação

| Edição de 30 de julho de 2026 | Atualizado em 30 de julho de 2026

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Escrevo de um lugar muito especial onde encontrei não apenas um espaço de trabalho, mas uma direção para aquilo em que acredito como educador. Ali, ser firme e suave não é uma frase bonita: é um compromisso cotidiano. Talvez por isso me incomode perceber que, em tantos espaços, fomos convencidos de que a educação precisava escolher entre acolher ou corrigir, como se firmeza fosse violência e suavidade significasse aceitar tudo.

No cotidiano escolar, convivemos com jovens inteligentes, sensíveis e repletos de possibilidades. Eles precisam ser ouvidos e encontrar adultos dispostos a compreender suas angústias e as pressões de um tempo que cobra muito, oferece pouco e transforma inseguranças em espetáculo. Porém, justamente porque acreditamos nesses jovens, não podemos confundir acolhimento com ausência de limites.

Acolher o sentimento de um estudante não significa aceitar qualquer comportamento. Ele pode estar frustrado com uma regra, mas isso não lhe concede o direito de ignorá-la. Pode discordar de uma decisão, mas precisa manifestar sua discordância com respeito. Pode errar, porque o erro também educa, mas deve compreender que escolhas produzem consequências.

É nesse ponto que a educação parece ter perdido parte de sua coragem. O professor cobra uma atividade e precisa justificar a cobrança. A escola estabelece um horário e precisa negociar seu cumprimento. A coordenação aplica uma consequência e, antes que se pergunte o que o jovem pode aprender com aquela situação, procura-se um adulto para culpar. Há sempre uma explicação para o comportamento, mas raramente a mesma disposição para assumir responsabilidade por ele.

Não defendo a escola do grito, da humilhação ou do medo. Essa escola não educa: domestica. Firmeza sem suavidade transforma-se em autoritarismo. Mas suavidade sem firmeza torna-se permissividade. Uma escola que apenas pune abandona seus estudantes; uma escola que tudo permite também.

Como coordenador, aprendo que dizer “não” é simples. O difícil é dizer “não” sem ferir, explicar a razão, ouvir a reação e, ainda assim, sustentar a decisão. A verdadeira autoridade não precisa aumentar a voz para provar que existe. Ela se revela na coerência, na justiça e na capacidade de permanecer presente mesmo quando o outro está contrariado.

Como cidadão, inquieta-me ver uma sociedade que deseja formar adultos responsáveis enquanto retira de crianças e adolescentes as oportunidades de aprender responsabilidade. Queremos jovens resilientes, mas eliminamos qualquer frustração. Esperamos que respeitem limites, mas atacamos a escola quando ela tenta estabelecê-los. Desejamos autonomia, mas resolvemos por eles todos os problemas.

Proteger alguém daquilo que pode destruí-lo é cuidado. Impedi-lo de enfrentar aquilo que pode fortalecê-lo é outra forma de abandono, ainda que embrulhada em boas intenções.

Família e escola não devem formar uma aliança para manter o jovem permanentemente satisfeito, mas um compromisso para ajudá-lo a crescer. Em alguns momentos, isso exigirá abraço. Em outros, cobrança. Quase sempre exigirá os dois.

Tenho a felicidade de trabalhar em uma escola que escolheu esse equilíbrio. No São José, encontrei meu lugar: um espaço onde posso acolher sem abandonar a responsabilidade, cobrar sem esquecer o afeto e exercer a firmeza sem perder a suavidade. Porque educar exige uma direção clara: cuidar do coração sem renunciar à formação da consciência.

A vida adulta não mudará suas regras para evitar nossas frustrações. Preparar alguém para essa realidade não é falta de amor. É uma de suas formas mais honestas.

Quem ama não transforma todo limite em castigo. Mas também não chama de amor a covardia de nunca dizer não.