Os incêndios ambientais estão em queda na região. Um levantamento da Tribuna junto aos dados do Corpo de Bombeiros mostra que, de janeiro até ontem, foram atendidas 130 ocorrências de queimadas na área do 11º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), que abrange 19 municípios. No mesmo período do ano passado, foram 183 registros do tipo, redução de 29%. Se comparado a 2024, quando a região contabilizou 478 registros, a queda chega a 72%. O recuo nas estatísticas tem como principal fator o maior volume de chuvas registrado neste ano e pode ter relação com o El Niño.
Apucarana concentra a maioria das ocorrências atendidas neste ano, com 56 registros, uma redução de 34% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 85 chamadas foram atendidas. Em 2024, foram 268 incêndios ambientais registrados no município pela corporação no período.
Segundo a tenente Ana Paula Zanlorenzi, do 11º BBM, o clima mais úmido e o cuidado com os lotes urbanos foram determinantes para conter as chamas. “Tivemos um período mais chuvoso em relação ao ano passado. Percebemos, inclusive visualmente, que em locais onde costumeiramente atendíamos ocorrências houve uma melhor manutenção e poda dos terrenos. O mato mais baixo e as áreas limpas ajudam muito a evitar a propagação do fogo, pois a vegetação alta combinada ao tempo seco favorece demais os incêndios ambientais”, explica a oficial.
Sobre a influência direta do fenômeno climático nas precipitações recentes, a tenente pontua com cautela. “Um dos efeitos do El Niño é justamente o aumento das chuvas. No entanto, tecnicamente não posso afirmar se a redução é um efeito direto do fenômeno ou se há outros fatores envolvidos”, comenta.
Apesar da queda, a tenente mantém o alerta para os próximos meses e ressalta que, apesar da queda, o volume de chamados ainda é expressivo. “Pelos dados estatísticos e pelas condições do nosso ambiente, com períodos de seca, estiagem e baixa umidade relativa do ar, a nossa operação principal de combate a incêndios florestais e ambientais acontece entre junho e outubro. Esse intervalo é historicamente marcado pelo aumento dos focos”, alerta a tenente.