Em mais uma manobra para atrasar o processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB-RJ (foto), conseguiu ontem destituir o relator do processo no conselho, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), protelando mais uma vez a tramitação. Cunha usou o vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), para obter uma decisão da mesa diretora que destituiu Pinato da relatoria. Tanto Cunha como Waldir Maranhão são investigados na Operação Lava Jato.
O fundamento jurídico é que Pinato fez parte do mesmo bloco partidário de Cunha, por isso estaria impedido de analisar o processo contra o presidente da Câmara. Isso adiou mais uma vez a votação da abertura do processo contra Cunha, que estava prevista para ontem. Esse argumento havia sido rejeitado pelo presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), por isso os aliados de Cunha recorreram à mesa diretora. O autor do pedido foi o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB).
GOVERNO REVÊ ESTRATÉGIA SOBRE RECESSO
Com a possibilidade da comissão especial do impeachment ser composta por maioria oposicionista, o governo federal reavalia a estratégia de suspender todo o recesso parlamentar e acelerar a análise do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff. O Palácio do Planalto estuda agora adotar um recesso reduzido, encerrando o ano legislativo no final de dezembro para retomá-lo na metade de janeiro, por volta do dia 11. O objetivo é ganhar fôlego para reorganizar a base aliada e estudar uma nova estratégia para evitar que seja aberto processo de afastamento da petista.