Após a Câmara aprovar a continuidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador Fernando Collor, do PTC-AL (foto), que sofreu um processo de afastamento da Presidência da República em 1992, quando ocupava o cargo, disse estar desconfortável em ter que participar do processo, falou na necessidade de "serenidade" e aproveitou os 50 minutos em que ocupou a tribuna do plenário do Senado ainda para apresentar sugestões à administração do país. "Não é nada confortável para mim rememorar e menos ainda reviver, mesmo que em outra trincheira, momentos como este", disse.
Reação a Bolsonaro
A presidente Dilma Rousseff disse ontem, em entrevista a correspondentes estrangeiros, no Palácio do Planalto, ser "lamentável" que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tenha feito uma homenagem ao torturador da ditadura militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015. Dilma foi questionada pelos jornalistas sobre a declaração do deputado, feita no último domingo, ao dar seu voto favorável ao processo de impeachment, na Câmara dos Deputados. “(Ustra) Foi um dos maiores torturadores do Brasil. Sobre ele, recai não só acusação de tortura, mas também acusação de morte. É só ler os papéis da Comissão da Verdade e mesmo outros relatos”, afirmou Dilma.
Repercussão da votação
A advogada Janaína Paschoal, que assina o pedido impeachment da presidenta Dilma Rousseff junto com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., cuja admissibilidade foi aprovada on disse que se sentiu representada pelos deputados durante a votação. “Eu me senti muito representada, quando eles iam lá e falavam de Zumbi dos Palmares, falavam da família, falavam dos indígenas, falavam de Deus, até os que votaram contra, na medida em que colocaram sua convicção, seu sentimento, eu acho que aquilo é o poder legislativo”, disse a advogada.
Religiosos x deputados
As referências à religião e a Deus nos discursos de parte dos deputados que decidiram, no domingo (17), pela abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff incomodaram religiosos. Em defesa da separação entre a fé e a representação política, líderes de várias entidades criticaram as citações e disseram que os posicionamentos violam o Estado laico. Durante a justificativa de voto, os parlamentares usaram a palavra “Deus” 59 vezes, quase o mesmo número de vezes que a palavra “corrupção”, citada 65 vezes. Menções aos evangélicos aparecem dez vezes, enquanto a palavra “família” surgiu 136 vezes.
Eleições gerais
O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT) defendeu novas eleições no país. Segundo ele, um eventual governo do vice-presidente da República, Michel Temer – em caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff – teria legitimidade escassa e poderia aumentar a crise social e política. “Seria muito melhor para o país convocar eleições. Até com a concordância dele [Michel Temer]. Certamente, jurista que ele é, ele vai reconhecer que sua legitimidade é escassa para terminar o mandato, porque não houve um julgamento de crime de responsabilidade, houve eleição indireta”, disse.