ROGÉRIO RIBEIRO

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O negócio é crescer

Da Redação

| Edição de 21 de junho de 2022 | Atualizado em 21 de junho de 2022
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Todas ações das autoridades econômicas são pautadas para os mesmos objetivos, onde o crescimento econômico assume o protagonismo. Para se manter um alto nível de emprego e distribuir renda é necessário, primeiramente, que tenhamos crescimento econômico. A produção de bens e serviços deve crescer, em termos reais, praticamente todos os anos.

A cada ano o investimento também tem que crescer tanto para reposição das máquinas e equipamentos que se depreciam, quanto para absorverem os trabalhadores recém chegados à força de trabalho. E para fazer frente a esta exigência de investimentos nossa economia tem que gerar poupança suficiente para isto. Se não tivermos poupança interna teremos que recorrer à poupança externa, ou seja, precisamos de investimento estrangeiro direto.

Lembrando que a poupança citada não se trata da aplicação em caderneta de poupança, mas a parcela da renda nacional gerada que não é utilizada para o consumo.

São conceitos simples, mas de significativas relevâncias para a compreensão dos eventos econômicos e para subsidiar as autoridades econômicas nas decisões políticas. Com isto, fica clara a necessidade de termos um crescimento constante, sem muita volatilidade. Mas o que os eventos recentes estão apontando é para uma desaceleração forte da economia mundial com a possibilidade de termos mais um ciclo recessivo.

O aumento da taxa básica de juros da economia combinada com um possível aumento do prêmio de risco faz com que as taxas de empréstimos aumentem, reduzindo o nível de investimento e o ritmo de crescimento da economia. É isto que está acontecendo com a maioria das economias do mundo.

O aumento dos juros básicos visa combater a inflação. Isto está correto e tem que ser observado. Porém, também devem cuidar do nível de atividade econômica. Os bancos centrais estão observando e se preocupando com suas tarefas de combater a inflação. Mas será que todas as autoridades econômicas e todos os governos estão fazendo tudo que é possível para reverter as tendências do nível de atividade?

Com as medidas recentes de combate à inflação, ou seja, o aumento dos juros básicos, os bancos centrais colocaram um problema no colo dos governantes: a possibilidade de termos estagflação, que é um cenário de estagnação, ou mesmo recessão, combinado com inflação elevada.

Embora muitos analistas minimizem as possibilidades de ocorrência de estagflação, não podemos descarta-las completamente. Os índices de inflação deverão se manter elevados no ano de 2023 e poderão começar a reduzir a partir de 2024. Contrastando com isto teremos crescimento global menor. Portanto, os riscos de estagflação devem ser reduzidos, mas não podem ser descartados.

Com isto, os governantes e os empresários deverão voltar a estudar como administrar com este cenário adverso. Mas e a população em geral? Se o crescimento for pequeno não se gera renda para o aumento da demanda agregada e, com isto, não há motivação para o aumento da produção. Isto, combinado com o aumento dos juros, reduzem a intenção de se investir no setor produtivo e temos uma “tempestade perfeita”. Poderemos ter mais desemprego.

O combate à inflação tem que ser feito, porém os governantes devem buscar outras alternativas para isto além de se elevar os juros básicos, pois os mais vulneráveis é que sofrerão as consequências. Ou fazem de outra forma, ou apresentam outras alternativas para promover o crescimento da produção. Fato é que alguma medida deve ser tomada. Devem começar a se preocupar com outras questões além das eleições.