Comemorar o aniversário de Apucarana é, acima de tudo, uma oportunidade para refletir com maturidade sobre o caminho já percorrido e sobre o futuro que queremos construir. Nessa reflexão, os indicadores econômicos não devem ser vistos como sentenças definitivas, mas como instrumentos de leitura da realidade, capazes de orientar decisões e estimular ações coletivas. Entre esses instrumentos, destacam-se os indicadores de nível e de ritmo de crescimento, amplamente utilizados nos estudos sobre desenvolvimento regional e potencial endógeno.
O indicador de nível de crescimento permite avaliar a posição relativa de um município em relação à média estadual ou regional em determinado momento do tempo. Ele revela o patamar de renda já alcançado, funcionando como uma fotografia do estágio de desenvolvimento econômico. Já o indicador de ritmo de crescimento capta a dinâmica, isto é, a velocidade com que o município avança ao longo do tempo. Em termos simples, enquanto o nível mostra “onde estamos”, o ritmo revela “como estamos caminhando”.
Ao observar o PIB per capita de Apucarana, com base nos dados do IBGE para o período de 2013 a 2023, o indicador de nível de crescimento apresentou valores de 95,8 em 2003, 84,9 em 2013 e 72,8 em 2023. Esses números mostram que, ao longo das últimas duas décadas, o município deixou a condição de alto potencial de desenvolvimento, em 2003, para se situar, em 2023, em um patamar de médio potencial. Essa trajetória evidencia as dificuldades estruturais de sustentar posições relativas elevadas em um estado marcado por profundas assimetrias econômicas.
Os próprios dados estaduais ajudam a contextualizar essa leitura. Em 2003 e 2013, dos 399 municípios do Paraná, 256 estavam abaixo da média estadual do indicador de nível de crescimento. Em 2023, esse número caiu para 245 municípios. Ou seja, a melhora relativa do estado não foi homogênea e reforça a necessidade de políticas públicas articuladas e de ações coordenadas com o setor privado para elevar o PIB per capita em todo o território paranaense.
Quando o foco se desloca para o ritmo de crescimento, a análise se torna ainda mais reveladora. Para os períodos de 2003 a 2013 e de 2013 a 2023, constatou-se que 194 municípios paranaenses ficaram abaixo da média estadual no primeiro intervalo e 173 no segundo. Apucarana registrou indicadores de ritmo de crescimento de 81,9 e 73,9, respectivamente. Embora esses valores indiquem taxas anuais de crescimento do PIB per capita elevadas, elas permaneceram abaixo da média estadual. Ainda assim, o dado mais relevante é outro: o município demonstrou resiliência e capacidade de reação, afastando-se de uma condição de estagnação.
Essa trajetória sinaliza esforço coletivo, protagonizado por empresários, trabalhadores, empreendedores, instituições e pelo poder público local. O setor privado, em especial, pode e deve ampliar sua contribuição, não apenas investindo, mas participando ativamente do debate sobre as condições conjunturais e da implementação de ações estruturais. Romper com o fluxo circular cotidiano exige inovação, diversificação produtiva, ganhos de produtividade e maior integração entre conhecimento, capital e trabalho.
Apucarana reúne potencial econômico e capacidade histórica de adaptação, mas sua consolidação como município desenvolvido depende de organização social, cooperação e visão de longo prazo. Celebrar seu aniversário é reconhecer conquistas e, sobretudo, reafirmar o compromisso coletivo entre poder público e iniciativa privada na construção de um futuro mais dinâmico, inclusivo e sustentável.