TIAGO CUNHA

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A lógica da IA e a falta de contexto nos negócios

Da Redação

| Edição de 04 de maio de 2026 | Atualizado em 04 de maio de 2026

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Recentemente li uma matéria sobre um experimento empresarial: uma cafeteria operada por inteligência artificial, onde praticamente todas as decisões eram tomadas por um sistema. Confesso que, num primeiro momento, a ideia chama atenção. Afinal, quem não gostaria de um negócio mais eficiente, previsível e orientado por dados? Então decidi me aprofundar um pouco mais na leitura, e conhecer um ´pouco mais deste experimento. 

O caso apresentado sobre a “Andon Café”. A proposta da empresa era usar IA para gerenciar estoque, fazer contratações, estabelecer preços e conduzir a operação do dia a dia. Em tese, um cenário ideal para reduzir desperdícios e aumentar eficiência. E, de fato, alguns resultados apareceram. A operação ficou mais ágil, os processos mais organizados e as decisões mais rápidas. A lógica do algoritmo trouxe consistência e ajudou a minimizar falhas em tarefas repetitivas. Apesar da eficiência nos processos e alguns resultados, o estudo também trouxe algumas questões interessantes. A mesma inteligência que otimizava processos também passou a tomar decisões desconectadas da realidade. Contratações em excesso, estoques desproporcionais e uma leitura limitada do comportamento das pessoas. A IA fazia exatamente o que foi programada para fazer, otimizar resultados com base nos dados disponíveis. O ponto é que negócios não funcionam só com dados. Eles envolvem contexto, percepção e interpretação.

E aqui está um ponto importante. A inteligência artificial é extremamente eficiente para responder “o que fazer” a partir de padrões e históricos. Mas ainda tem dificuldade quando entram questões como “quando fazer”, “como fazer” e, principalmente, “por que fazer”. É nesse espaço que entra o senso situacional, algo que, pelo menos por enquanto, continua sendo essencialmente humano.

Esse experimento mostra que não se trata de substituir pessoas por tecnologia, mas de reorganizar papéis. A IA pode assumir bem as funções operacionais, analíticas e repetitivas. Ela melhora a eficiência, reduz custos e amplia a capacidade de escala. Mas, quando atua sozinha, tende a perder a sensibilidade necessária para lidar com variáveis que não estão nos dados, como comportamento do cliente, cultura e dinâmica do mercado.

Por outro lado, ignorar a inteligência artificial também não parece fazer sentido. Negócios que não incorporam tecnologia tendem a ficar para trás. O ponto de equilíbrio, então, não está em escolher entre humano ou máquina, mas em entender como os dois podem trabalhar juntos.

 Este caso nos desperta uma reflexão: eficiência sem contexto pode levar a decisões que fazem sentido no papel, mas não funcionam na prática. E isso, no ambiente de negócios, costuma ter um custo alto. O potencial da inteligência artificial é inegável. Ela veio para transformar a forma como operamos, decidimos e crescemos. Mas isso não elimina o papel do ser humano pelo contrário, reforça. Cabe a nós interpretar, ajustar e dar sentido às decisões. Porque, no final das contas, tecnologia entrega eficiência. Mas é o ser humano que garante direção.