Muito se fala sobre cidades inteligentes, mas nem sempre o debate avança além da tecnologia. Na prática, uma cidade inteligente é aquela que consegue executar um planejamento mais eficiente, acompanhar indicadores, avaliar resultados e utilizar informações para melhorar a vida das pessoas. É neste contexto que as normas internacionais ISO voltadas para cidades inteligentes ganham importância.
As normas ISO 37120, ISO 37122 e ISO 37123 estabelecem indicadores para medir o desempenho dos municípios em áreas como governança, mobilidade, educação, saúde, meio ambiente, inovação, economia, segurança e qualidade de vida. Mais do que um selo, elas oferecem uma metodologia que ajuda gestores a compreender a realidade local, definir prioridades e monitorar a evolução da cidade ao longo do tempo.
Ao adotar esses padrões, os municípios passam a trabalhar com dados comparáveis internacionalmente, fortalecendo a gestão pública e aumentando sua capacidade de atrair investimentos, desenvolver projetos estratégicos e criar políticas mais eficientes. Trata-se de uma ferramenta de planejamento que conecta desenvolvimento econômico, sustentabilidade e qualidade de vida.
Recentemente, Campo Mourão tornou-se a primeira cidade do Paraná e da Região Sul a conquistar a tripla certificação internacional baseada nessas normas. O reconhecimento demonstra que cidades de porte médio podem alcançar padrões globais de excelência quando existe alinhamento entre governo, setor produtivo, instituições de ensino e sociedade civil.
O exemplo merece atenção de Apucarana. O município possui um ambiente favorável ao desenvolvimento, com universidades, entidades empresariais, lideranças locais e iniciativas voltadas à inovação. Entretanto, um dos desafios permanentes é transformar ações isoladas em uma estratégia integrada de longo prazo.
A adoção dos indicadores ISO poderia contribuir para organizar prioridades, ampliar a governança e fortalecer a conexão entre os diferentes atores do território. Também permitiria medir avanços de forma objetiva, facilitando a construção de projetos estruturantes e aumentando a competitividade do município.
Os impactos positivos não se limitariam à administração pública. O Ecossistema Local de Inovação também seria beneficiado. Trabalhar com indicadores reconhecidos internacionalmente fortalece a cooperação entre instituições, cria metas compartilhadas e amplia a capacidade de desenvolver iniciativas com resultados concretos para empresas, empreendedores e cidadãos.
É importante lembrar que essa discussão não é nova em Apucarana. O Conecta Apucarana já buscou iniciar uma mobilização inspirada nos princípios das cidades inteligentes, promovendo debates e articulando atores locais em torno dessa agenda. Foi uma iniciativa alinhada às tendências internacionais e às necessidades do município. No entanto, o processo perdeu força e precisa ser retomado.
A experiência de Campo Mourão mostra que certificações internacionais são consequência de planejamento, continuidade e cooperação. Mais importante do que conquistar um selo é construir uma cultura baseada em indicadores, metas e resultados.
Apucarana possui condições para avançar nesse caminho. O desafio está em reunir lideranças, fortalecer a governança do ecossistema e transformar uma boa ideia em estratégia permanente. O futuro das cidades será cada vez mais definido pela capacidade de medir, aprender e agir. Talvez seja o momento de retomar essa agenda com a prioridade que ela merece.