O Papa Francisco desde que assumiu seu pastoreio vem dizendo que “(...) os cristãos não podem lavar as mãos como Pilatos fez”, mas que, ao contrário, devem participar plenamente dos momentos políticos da sociedade. “A política é, antes de tudo, serviço”, não de ambições e interesses pessoais ou de prepotência de facções nem de autocracia e totalitarismos. Sabemos – recordou – que “Jesus veio para servir e não para ser servido”.
Fiel a sua vocação profética e seguindo as orientações do Santo Padre, a Igreja Católica no Brasil, publicou uma cartilha, orientando os católicos sobre as eleições, chamando atenção para a importância de se conhecer a história de cada candidato, o compromisso com os mais pobres e com a vida.
“Nós, bispos católicos do Brasil, conscientes de que a Igreja ‘não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça’ (Papa Bento XVI – Deus Caritas Est, 28), olhamos para a realidade brasileira com o coração de pastores preocupada com a defesa integral da vida e da dignidade da pessoa humana, especialmente dos pobres e excluídos. Do Evangelho nos vem à consciência de que ‘todos os cristãos, incluindo os pastores, são chamados a preocupar-se com a construção de um mundo melhor’ (Papa Francisco – Evangelii Gaudium, 183), sinal do Reino de Deus.
Inspirados pelas palavras do Papa e pelas orientações da CNBB, nós da Igreja local, preocupados com o que vem acontecendo, especialmente em relação ao uso indevido da imagem da Igreja, via mídia social (Facebook, WhatsApp e outros), queremos lembrar ao nosso povo o que já foi dito, seja pelo papa, como pelos bispos do Brasil, que a Igreja Católica não tem um candidato ou um partido. Desta forma, toda tentativa de vinculação dos ministros da Igreja, padres ou leigos, como apoiadores partidários, é uma atitude completamente reprovada e sem oficialidade, quem assim o fizer estará agindo em nome próprio e sem o consentimento da Igreja, portanto, não passando de fake news (mentiras). Não cabe a Igreja dizer quem é pior ou melhor, mas confiar na consciência moral dos seus filhos, pois responsabilidade, só é possível com liberdade.
O voto é secreto e tem que ser livre, consciente, a escolha é do povo e não de qualquer um ou outro que se coloque no lugar do povo, apresentando-se como aquele que em nome do povo faz as escolhas. Não esqueçamos que o pior analfabeto ainda é o analfabeto político e que muito se tem a fazer no âmbito da educação política.