A duas semanas das eleições, o clima é tenso entre os eleitores mais apaixonados pelos seus candidatos. Nesta disputa, marcada por extensos duelos pelas redes sociais e também nas ruas, sobram trocas de ofensas, ataques pessoais e desrespeito de todas as partes. Até agora, o ódio é o principal vencedor das eleições presidenciais.
Petistas e bolsonaristas são os mais ferrenhos. Esses eleitores não medem esforços para defender seus pontos de vista. Mais do que simples apoiadores, são verdadeiros fãs de seus candidatos. Há um vale-tudo, que não é o ideal para a democracia.
A virulência da disputa tem como uma das origens o discurso do “nós contra eles” disseminado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na Operação Lava Jato, em Curitiba. Essa postura, que serviu como combustível para a militância, fortaleceu ao longo dos anos o “eles”, que se uniram atualmente em torno de Bolsonaro, principalmente. Há um antipetismo enorme no país, fruto, é verdade, dos inúmeros escândalos de corrupção que sacudiram o país nos governos do próprio Lula e de Dilma Rousseff.
Por outro lado, a legião de apoiadores de Bolsonaro defende cegamente o discurso de “mudar tudo isso aí” do seu candidato. No entanto, nem sempre essa pauta tem viés democrático. É algo preocupante, porque muitos militantes sequer cogitam a possibilidade de perder em 7 de outubro.
Falta bom senso nas duas frentes. Essa violência argumentativa dos seguidores, principalmente desses dois polos eleitorais – que caminham para o segundo turno, conforme as últimas pesquisas – é preocupante, até porque é alimentada pelos próprios candidatos, que poucas propostas apresentam. A facada contra Bolsonaro expôs essa face violenta da polarização. É algo terrível para a democracia, tão maltratada.
Esse descontentamento político generalizado gera posicionamentos inaceitáveis, como a defesa da volta da ditadura ou a não aceitação de um eventual resultado das eleições.
Na questão pessoal, preocupa a falta de respeito entre os eleitores. Quem abre o Facebook ou o Twitter, por exemplo, percebe essa luta diária de posts em defesa de seus candidatos e de suas ideologias. Não são discussões amigáveis. Quem ousa contestar um ponto de vista em um “front de batalha” adversário é atacado de forma violenta, às vezes, com críticas pessoais e ofensivas. Essa polarização entre os eleitores é apavorante. Todos têm o direito de escolher seus próprios candidatos. É da regra do jogo. Ninguém pode proibir pontos de vistas. Para avançar, é preciso debater ideias.