O PT entrou com uma notícia crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e a coligação com PRTB por injúria eleitoral e incitação ao crime por causa de um vídeo em que o candidato defende "fuzilar a petralhada".
"Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre. Vamos botar esses picaretas pra correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela galera, vão ter que comer é capim mesmo", disse Bolsonaro em evento.
No documento, protocolado ontem, o PT afirma que "por mera divergência política, entende o candidato ser necessário o fuzilamento de toda uma parcela da população, o que representa, a um só tempo, os cometimentos dos crimes de ameaça e incitação ao crime".
O PT pede para que a notícia de crime seja enviada à Procuradoria-Geral da República para a instauração de procedimento investigatório, visando à denúncia e condenação de Bolsonaro. A ação foi sorteada para o ministro Ricardo Lewandowski.
Na semana passada, a Primeira Turma do STF suspendeu o julgamento do recebimento de uma denúncia contra Bolsonaro, acusado de racismo em relação a quilombolas, refugiados e outros grupos.
O presidenciável já é réu em outras duas ações penais no Supremo, que tramitam em conjunto, sob a acusação de incitar o crime de estupro em um episódio em que disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que só não a estupraria porque ela não merecia.
OUTRO LADO
O candidato Jair Bolsonaro defendeu o que chamou de "figura de linguagem" ao simular uma arma com um tripé e defender "fuzilar a petralhada do Acre".
"Existe a figura de linguagem, hipérbole. Foi usado. Nada mais além disso. [...] Qual o problema? Ninguém quer matar ninguém, não", disse ele, no Rio de Janeiro.
Ele se irritou quando repórteres tentaram questionar se aquele era um comportamento adequado para um candidato à Presidência."Não vem com esse papinho de mimimi, politicamente correto que não leva a lugar nenhum. Peguei um tripé de um colega de vocês [jornalistas], simulei uma metralhadora", disse ele.
Defesa de Lula pedirá liminar ao STF para garantir candidatura
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insistirá na estratégia de enfrentamento e esticará a defesa de sua candidatura até as últimas possibilidades.
Nesta terça-feira (4), os advogados pedirão liminar ao STF (Supremo Tribunal Federal) para derrubar decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que, na madrugada do último sábado (1°), que barrou o petista na corrida presidencial.
A informação foi repassada pelo vice da chapa, Fernando Haddad (PT), a jornalistas em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde Lula está preso desde abril.
Haddad disse que a defesa peticionará dois recursos extraordinários, nas esferas eleitoral e criminal, para que Lula tenha o direito de registrar sua candidatura, sem a necessidade de substituição no prazo de dez dias, como estipulado pelo TSE.
Caso os recursos sejam rejeitados, o partido tem até o dia 11 de setembro para apresentar um novo candidato. Haddad é tratado nos bastidores como o preferido para o plano B.
Ainda nesta segunda (3), segundo ele, os advogados do ex-presidente também peticionarão ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) manifestação sobre a decisão do TSE, que barrou a candidatura de Lula a despeito do posicionamento favorável do grupo ao petista.
O vice da chapa também afirmou que cancelou agenda no Rio Grande do Sul nesta segunda para voltar a São Paulo e realizar os últimos ajustes na propaganda eleitoral.
"Para que nossa campanha de rádio e TV e rede social esteja estritamente de acordo com as exigências da decisão [do TSE]", disse. De acordo com a determinação do tribunal, Lula pode aparecer em apenas 25% do programa.
A reunião também contou com os advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Zanin Martins e Luiz Fernando Casagrande Pereira. O encontro teve início pela manhã e estendeu-se pela tarde, com um intervalo para o almoço.