O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, expressou sua indignação com a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob a Seção 301, classificando-a como "extremamente injusta" e "totalmente descabida".
Alckmin destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em reverter essa recomendação antes que seja formalizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Durante uma entrevista coletiva em Brasília, Alckmin defendeu o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, afirmando que ele não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira. "O Pix é um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população", afirmou o vice-presidente.
Falsos patriotas e sabotadores
Alckmin também denunciou a ação de "sabotadores" internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais, especialmente em um momento em que o governo brasileiro negocia com os Estados Unidos. "Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocando seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público", disse ele.
Ele ressaltou que essa postura de sabotagem afeta o emprego e a renda internamente, além de prejudicar as empresas brasileiras e a sociedade como um todo.
Desequilíbrio comercial
O vice-presidente também refutou os argumentos de Washington sobre o desequilíbrio nas transações comerciais entre os dois países, afirmando que a balança comercial é "amplamente favorável" aos Estados Unidos. "No ano passado, somando a balança de produtos e serviços, tivemos um superávit de US$ 40 bilhões para os Estados Unidos."
Ele destacou que dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos ao Brasil, oito têm alíquota zero, enquanto a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre as importações norte-americanas é de 3,1%. Alckmin criticou o protecionismo do governo Trump em setores como o do açúcar, onde o Brasil enfrenta uma sobretaxa de 80% sobre o excedente da cota de 150 mil toneladas.
Desmatamento
Em relação ao desmatamento ilegal mencionado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, Alckmin apontou para os avanços do Brasil na agenda climática, destacando que o país registra a maior queda no desmatamento recente. "Estamos tendo a maior queda de desmatamento nos últimos sete anos, com uma redução de mais de 50% na Amazônia. O Brasil tem o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030."
Diálogo
O vice-presidente enfatizou que o governo brasileiro está focado em intensificar o diálogo técnico por meio de um grupo de trabalho bilateral, com o objetivo de reverter ou mitigar a taxação até o prazo final, em 15 de julho. Ele lembrou que o diálogo entre as duas nações já está em andamento, com o presidente brasileiro tendo se encontrado recentemente com o presidente Trump.
Alckmin adiantou que os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tentarão coincidir reuniões bilaterais com o representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer. Todos estarão presentes em Paris, no encontro do conselho ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
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Com informações da Agência Brasil