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Anac quer criar categoria de piloto específica para "carro voador"

(via Agência Brasil)

| Edição de 12 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 12 de fevereiro de 2026

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável pela regulação e fiscalização do setor aéreo no Brasil, está considerando a criação de uma categoria específica para pilotos de "carros voadores".

Para isso, a agência federal abriu uma consulta pública, buscando contribuições da sociedade civil sobre os novos requisitos para pilotos dessas aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical.

Os carros voadores, conhecidos pela sigla eVTOL, do inglês electric vertical takeoff and landing, estão no centro dessa discussão.

A consulta pública visa estabelecer parâmetros para uma proposta de emenda ao Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 61, que define os requisitos para licenças, habilitações e certificados de profissionais da aviação civil.

A Anac espera receber contribuições principalmente de pilotos, organizações de treinamento, fabricantes, operadores e especialistas do setor.

Período de Transição

A iniciativa da Anac busca preparar, de forma gradual e segura, o sistema brasileiro de licenciamento para os "novos conceitos de aeronaves" que integram a mobilidade aérea avançada.

A proposta é desenvolver um modelo de formação com treinamento específico para habilitação. Inicialmente, haverá um período de transição para pilotos de avião e helicóptero já licenciados.

Esse período permitirá acumular experiência operacional e evidências regulatórias, criando um arcabouço de conhecimento para a formação completa de pilotos de carros voadores, sem exigir experiência prévia em outras categorias.

A habilitação dos pilotos será específica e complementada por experiência supervisionada em operações típicas, culminando em um exame prático de verificação de perícia.

A consulta pública está aberta até 16 de março, e a participação pode ser feita através do Portal Brasil Participativo.

Associação de Pilotos

Consultada pela Agência Brasil, a Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) vê a chegada dos carros voadores como a abertura de um novo mercado.

“O que é bom para os nossos associados. Teremos uma adaptação teórica e prática, nos termos da regulamentação que a Anac fará”, afirmou o diretor da Abrapac, Carlos Perin.

Contudo, Perin acredita que, em um futuro mais distante, esse tipo de profissional poderá ser suprimido. Ele prevê que os carros voadores caminham para um futuro de transporte não tripulado.

“A barreira cultural em aceitar transporte em aeronave não tripulada será gradualmente removida com a presença de um piloto nas versões iniciais do eVTOL”, disse.

“Após a aceitação cultural pelo mercado consumidor, aquele posto de trabalho será desativado, e a versão final do projeto será efetivada, com apenas passageiros a bordo da aeronave remotamente controlada”, concluiu o diretor da Abrapac.

Fabricação no Brasil

Os eVTOLs, ainda na fase de protótipos e testes finais, são vistos como um dos futuros caminhos da aviação.

Totalmente elétrico e sem o uso de combustíveis fósseis, como gasolina, óleo ou querosene, o eVTOL é considerado uma tecnologia verde, que pode contribuir para a transição energética rumo a uma economia de baixo carbono, combatendo o efeito estufa.

Em 2024, a Anac publicou critérios finais de aeronavegabilidade para o eVTOL, apresentando padrões que a aeronave deve cumprir em relação à sua estrutura, sistemas de controle, propulsão e bateria, essenciais para garantir a segurança do voo.

A Embraer, empresa privada brasileira, se destaca como uma das pioneiras no desenvolvimento dessas aeronaves, através da subsidiária Eve Air Mobility (Eve).

Na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, buscam-se formas de criar carros voadores viáveis comercialmente. No final de dezembro passado, a Eve realizou o primeiro voo de um protótipo da empresa.

Recentemente, a Eve anunciou a venda de dois veículos para a japonesa AirX, que atua com transporte aéreo. Atualmente, a empresa asiática opera com uma frota de helicópteros.

A entrega dos veículos está prevista para 2029, com a possibilidade de ampliação do contrato, que inclui a opção de compra de até 50 unidades.

O projeto de desenvolvimento da Eve conta com apoio público, uma vez que a Embraer recebeu financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à inovação do governo federal, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).



Com informações da Agência Brasil