ECONOMIA

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BC mantém juros básicos em 15% ao ano pela segunda vez seguida

(via Agência Brasil)

| Edição de 05 de novembro de 2025 | Atualizado em 05 de novembro de 2025

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A recente decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa de juros Selic em 15% ao ano reflete a atual conjuntura econômica do país, marcada por uma inflação em queda e uma economia desacelerada. O Comitê de Política Monetária (Copom), por unanimidade, optou por não alterar os juros, decisão que já era aguardada pelo mercado financeiro.

Esta é a segunda reunião consecutiva em que o Copom decide manter a Selic no mesmo patamar, que é o mais alto desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após atingir 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a subir em setembro de 2024, chegando a 15% em julho deste ano e permanecendo inalterada desde então.

Inflação

A Selic é a principal ferramenta do BC para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro, o IPCA acelerou para 0,48%, influenciado pelo aumento na conta de energia, acumulando uma alta de 5,17% em 12 meses, acima do teto da meta contínua de inflação.

Por outro lado, o IPCA-15 de outubro, que serve como prévia da inflação oficial, ficou abaixo das expectativas devido à queda nos preços dos alimentos, que diminuíram pelo quinto mês consecutivo.

O novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, estabelece uma meta de inflação de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%. A meta é verificada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.

O último Relatório de Política Monetária do BC, divulgado no final de setembro, revisou para 4,8% a previsão do IPCA para 2025, mas essa estimativa pode ser ajustada conforme o comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do relatório será divulgada no final de dezembro.

As previsões do mercado são mais otimistas. Segundo o boletim Focus, a inflação oficial deve fechar o ano em 4,55%, ligeiramente acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas estavam em 4,8%.

Crédito mais caro

O aumento da Selic é uma estratégia para conter a inflação, pois juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. No entanto, taxas elevadas também podem dificultar o crescimento econômico. No último relatório, o BC reduziu de 2,1% para 2% a projeção de crescimento do PIB para 2025.

O mercado, entretanto, projeta um crescimento um pouco melhor. De acordo com o boletim Focus, os analistas econômicos preveem uma expansão de 2,16% do PIB em 2025.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao aumentá-la, o BC busca conter o excesso de demanda que pressiona os preços, pois juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Por outro lado, ao reduzir os juros básicos, o Copom torna o crédito mais barato e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.



Com informações da Agência Brasil