O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou uma redução no custo dos empréstimos para mulheres integrantes de cooperativas de crédito, a partir de abril. O objetivo é diminuir o spread, que é a diferença entre o custo do dinheiro para o BNDES e o valor cobrado dos tomadores de financiamento.
Com essa medida, as cooperadas das regiões Norte e Nordeste terão a remuneração do banco reduzida de 0,85% para 0,50% ao ano. Nas demais regiões, a taxa cairá de 1,25% para 0,85% ao ano. O anúncio foi feito na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, durante um evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
Prazos maiores
Além de taxas mais baixas, as mulheres terão um prazo maior para quitar os financiamentos, que passará de 12 para até 15 anos, com dois anos de carência. Essa mudança permitirá reduzir o valor das parcelas e ampliar o acesso ao crédito.
As cooperativas de crédito no Brasil contam com cerca de 20 milhões de associados, sendo que as mulheres representam aproximadamente 44,5% desse total. Atualmente, pouco mais de um quarto das operações de financiamento do BNDES são contratadas por mulheres.
“Se a gente não constrói esse acesso, não aumenta a participação das mulheres nas cooperativas. As cooperativas trazem resultado, ensinamento, segurança a famílias. Muitas mulheres são mães solo, responsáveis por pequena propriedade rural ou pequena empresa", declarou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Quase R$ 100 bi
Desde 2023, o BNDES alterou medidas do programa de financiamento por cooperativas, aumentando o limite de financiamento de R$ 30 mil para até R$ 100 mil. Entre 2023 e 2025, o volume de crédito repassado por bancos cooperativos e cooperativas de crédito alcançou R$ 99,5 bilhões.
Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, destacou que o cooperativismo de crédito é uma "ferramenta poderosa" de inclusão financeira e desenvolvimento regional. "Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda", afirmou.
Cooperativismo
O BNDES, com base em informações da Organização das Cooperativas Brasileiras, afirma que o cooperativismo reúne mais de 25,8 milhões de cooperados em 4.384 cooperativas brasileiras, gerando mais de 578 mil empregos diretos e impactando a economia em R$ 757,9 bilhões.
As cooperativas funcionam como empresas em que os trabalhadores são sócios do negócio, com responsabilidade pela gestão e fiscalização. Por não terem fins lucrativos, os resultados positivos são distribuídos entre os cooperados.
Mais iniciativas
No evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o BNDES anunciou outras medidas para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico das mulheres, incluindo a liberação de até R$ 80 milhões para o programa BNDES Periferias, voltado para favelas e áreas periféricas.
O programa apoiará organizações da sociedade civil e instituições sem fins lucrativos que desenvolvam programas de capacitação para mulheres periféricas empreendedoras, incluindo formação profissional, capacitação em gestão, mentorias, acesso a redes de mercado e capital.
Dentro do BNDES Periferias, haverá incentivo a projetos voltados ao "trabalho de cuidado", beneficiando serviços como cuidados domiciliares a crianças, idosos ou pessoas com deficiência, lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias.
Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, destacou que as periferias são territórios onde as mulheres são mais vulneráveis. "Obviamente não é só para mulheres, mas são as mulheres as grandes cuidadoras", afirmou.
Segurança
O BNDES também anunciou uma linha de financiamento para estados e municípios que tenham políticas públicas na área de segurança da mulher, como construção de delegacias da mulher e fortalecimento de patrulhas Maria da Penha, além de melhorias na iluminação pública.
O financiamento poderá cobrir até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos. Tereza Campello destacou que as ações contribuem para reduzir fatores de risco que "perpetuam a violência". "A violência contra as mulheres é um fenômeno complexo, que exige respostas integradas. Prevenção, proteção, investigação, responsabilização e autonomia econômica precisam caminhar juntas", concluiu.
Pacto
O presidente do BNDES assinou uma carta de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres.
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Com informações da Agência Brasil