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Brasil tem segunda maior saída de dólares da história em 2025

(via Agência Brasil)

| Edição de 07 de janeiro de 2026 | Atualizado em 07 de janeiro de 2026

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O ano de 2025 ficou marcado pela segunda maior saída líquida de dólares do Brasil desde o início da série histórica, em 1982, conforme dados preliminares do Banco Central (BC) divulgados nesta quarta-feira (7). O fluxo cambial totalizou um déficit de US$ 33,316 bilhões, ficando atrás apenas de 2019, quando a saída foi de US$ 44,768 bilhões.

Apesar desse resultado significativo, o real conseguiu se valorizar ao longo do ano, impulsionado por juros elevados no Brasil e pela desvalorização do dólar no mercado internacional.

O principal responsável pelo desempenho negativo foi o canal financeiro, que registrou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, a segunda maior da série histórica, superada apenas por 2024. Esse canal abrange investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamento de juros e outras operações financeiras.

Por outro lado, o canal comercial apresentou uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, insuficiente para compensar a forte evasão financeira. O saldo positivo foi menor que o pico de 2007 e também inferior ao de 2024.

Importações

De acordo com o BC, o aumento das importações foi o principal fator para a menor entrada de dólares pelo canal comercial. O volume de câmbio contratado para compras externas atingiu US$ 238 bilhões, o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2022.

As exportações totalizaram US$ 287,5 bilhões no ano. Diferente da balança comercial, que considera apenas exportações e importações já realizadas, o fluxo cambial inclui operações como pagamentos antecipados e adiantamentos de contrato de câmbio.

Apreciação do real

A despeito da saída expressiva de dólares no mercado à vista, o real se apreciou em 2025. Os juros elevados no Brasil e o enfraquecimento global do dólar incentivaram posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos, compensando o fluxo cambial negativo.

O Banco Central, por sua vez, teve uma atuação limitada no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, por meio do mecanismo conhecido como “casadão”. Nessas operações, o BC vende dólares das reservas internacionais, combinando com swaps cambiais reversos, compra de dólares no mercado futuro, na mesma quantia. O casadão permite que a autoridade monetária alivie a taxa de juros em dólar, sem mexer no câmbio.

Saída em dezembro

Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões, valor inferior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída chegou a US$ 27 bilhões. O resultado refletiu uma saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.

Tradicionalmente, dezembro concentra remessas ao exterior para pagamento de dividendos. Em 2025, os envios foram intensificados por empresas e investidores que buscaram se antecipar ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.

Prévia

As relações monetárias e financeiras entre residentes e não residentes são medidas pelo balanço de pagamentos, divulgado no fim de cada mês pelo Banco Central. O fluxo cambial, no entanto, funciona como uma prévia dos números, ao contabilizar adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados.

O fluxo cambial é composto de duas partes: o fluxo comercial, que mede o fechamento de câmbio para exportações e importações, e o fluxo financeiro, que mede investimentos em empresas, empréstimos e transações no mercado financeiro. Os dados do Banco Central mostram que, no ano passado, a fuga de dólares ocorreu no canal financeiro.



Com informações da Agência Brasil