ECONOMIA

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Classe C é a que mais se dedica ao empreendedorismo, diz estudo

(via Agência Brasil)

| Edição de 25 de março de 2026 | Atualizado em 25 de março de 2026

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Quase metade dos empreendedores ou donos de negócios do Brasil pertencem à classe C, conhecida como classe média. Essa é a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O estudo revela que o empreendedorismo, antes visto como uma alternativa temporária ou emergencial de renda, tem se consolidado como uma aspiração profissional, impulsionada pelo desejo de ascensão social e pela perda de prestígio do trabalho formal sob o regime de CLT.

A flexibilidade, a autonomia e a expectativa de ganhos superiores são os principais atrativos para aqueles que optam por empreender. Para muitos, abrir o próprio negócio representa a possibilidade de melhorar a qualidade de vida, evitando longas jornadas de trabalho, deslocamentos exaustivos e, por vezes, ambientes de trabalho tóxicos ou abusivos.

“O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres que lutam para sustentar a si mesmos e suas famílias. Além disso, geram emprego e renda, promovendo inclusão social e mobilizando comunidades inteiras em todo o país”, afirmou Décio Lima, presidente do Sebrae, em nota.

Para Lima, o crescimento do setor depende de "fomento e do ambiente legal necessário para ampliar a produtividade e competitividade dessas empresas, com políticas públicas que garantam acesso a crédito, inovação e capacitação".

O economista e pesquisador Euzébio de Sousa, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), reforçou que o empreendedorismo é crucial para o desenvolvimento do país, destacando a importância da qualificação dos negócios.

“Nem toda abertura de CNPJ, nem todo trabalho por conta própria, nem toda prestação de serviços pode ser considerada automaticamente como iniciativa empreendedora. É preciso distinguir o verdadeiro empreendedorismo, associado à inovação e à ampliação da capacidade produtiva, das formas de trabalho subordinado disfarçadas de autonomia, muitas vezes organizadas por meio da pejotização, e também das atividades de mera subsistência que costumam ser chamadas de empreendedorismo por necessidade”, explicou à Agência Brasil.

O empreendedorismo por necessidade, segundo Sousa, geralmente ocorre quando a pessoa abre um negócio por não encontrar opções satisfatórias no mercado de trabalho, "situação comum em contextos de desemprego, informalidade elevada, baixos salários, precarização do trabalho e ausência de proteção social".

Em sua visão, o empreendedorismo “não pode ser resultado da pobreza ou da falta de alternativas”.

“Quando isso acontece, não se está diante do empreendedorismo inovador capaz de promover desenvolvimento, mas de estratégias defensivas de sobrevivência em um contexto de forte precariedade social e ocupacional”, concluiu.

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Com informações da Agência Brasil