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CNI: Brasil acessará 36% do comércio global com acordo UE-Mercosul

(via Agência Brasil)

| Edição de 17 de janeiro de 2026 | Atualizado em 17 de janeiro de 2026

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um estudo revelando que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), ao entrar em vigor, ampliará de 8% para 36% o acesso do Brasil ao mercado global de importações de bens. A UE, por si só, foi responsável por 28% do comércio mundial em 2024.

O anúncio ocorreu neste sábado (17), após a assinatura do tratado por representantes do bloco europeu e dos países do Mercosul, em uma cerimônia realizada em Assunção, Paraguai. Segundo a entidade industrial brasileira, a formalização do acordo representa uma virada estratégica para a indústria nacional.

O levantamento também aponta que 54,3% dos produtos negociados, que somam mais de cinco mil itens, terão suas tarifas eliminadas na União Europeia assim que o acordo entrar em vigor. Já no Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), garantindo uma transição gradual e previsível.

"Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência. Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações com origem na União Europeia, reforçando a diferença favorável ao país", avalia a CNI.

Após a assinatura, o texto ainda será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos.

Impactos na Indústria Brasileira

De acordo com a análise da CNI, o Brasil terá, em média, oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária, em comparação ao prazo do bloco europeu e considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no Acordo Mercosul-UE.

"A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação da pauta exportadora e a integração internacional do país ao comércio global”, diz a CNI.

O tratado, negociado por mais de 25 anos, é considerado o mais moderno e abrangente já firmado pelo Mercosul, indo além da redução de tarifas ao incorporar disciplinas que aumentam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e criam um ambiente mais favorável aos investimentos, à inovação e à criação de empregos.

Geração de empregos

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Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos - Foto: José Paulo Lacerda - CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

Em 2024, conforme a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a UE, foram gerados 21,8 mil empregos, movimentando R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

No setor agroindustrial, o acordo também traz benefícios, com cotas negociadas que favorecem setores-chave. No caso da carne bovina, as cotas são mais do que o dobro das concedidas pela UE a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. As cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu.

Cooperação tecnológica

A assinatura do tratado também cria um ambiente propício para expandir projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica, segundo a CNI.

"As novas exigências regulatórias e de mercado impulsionam oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial – como captura, uso e armazenamento de carbono, uso e mineralização de CO₂, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex e reciclagem de baterias e minerais críticos –, e no desenvolvimento de bioinsumos para uma agricultura mais resiliente. A articulação dessas frentes fortalece a cooperação tecnológica, acelera a transição para uma economia de baixo carbono e amplia a competitividade do Brasil no mercado europeu", aponta a entidade.

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil, atrás da China. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, 17,9% do total.

A quase totalidade (98,4%) das importações brasileiras provenientes da Europa corresponderam a produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE foram de bens industriais. Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia, segundo a CNI.

"Essa complementaridade contribui para a modernização do parque industrial brasileiro, aumentando a competitividade da indústria. A UE também é destaque como o principal investidor no Brasil. Em 2023, o bloco respondeu por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, somando US$ 321,4 bilhões. O Brasil foi o maior investidor latino-americano na União Europeia: o bloco foi destino de 63,9% dos investimentos brasileiros no exterior".



Com informações da Agência Brasil