ECONOMIA

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Copom se reúne nesta quarta com petróleo sob pressão da guerra

(via Agência Brasil)

| Edição de 18 de março de 2026 | Atualizado em 18 de março de 2026

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Com o cenário internacional impactando o preço dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) para a segunda deliberação do ano. Apesar da alta no preço do petróleo, analistas do mercado financeiro estão otimistas e acreditam que o Copom deve anunciar a primeira redução da taxa de juros em dois anos.

Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em sete ocasiões consecutivas, mas permaneceu inalterada nas últimas quatro reuniões.

A decisão sobre a Selic será divulgada no início da noite desta quarta-feira. O Copom, no entanto, estará desfalcado, já que os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expiraram no final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom já havia sinalizado a intenção de iniciar a redução da Selic em março. Contudo, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou incertezas sobre a magnitude do corte, levando algumas instituições financeiras a especular sobre um possível adiamento da redução dos juros.

De acordo com a edição mais recente do boletim Focus, que coleta semanalmente as expectativas de analistas do mercado financeiro, a previsão é de que a taxa básica seja reduzida em 0,25 ponto percentual, passando para 14,75% ao ano. Antes do conflito, a expectativa era de um corte de 0,5 ponto.

Imagem ilustrativa da imagem Copom se reúne nesta quarta com petróleo sob pressão da guerra
Navio-tanque no Estreito de Ormuz Reuters/Hamad I Mohammed/proibida reprodução

Inflação

A inflação continua a ser uma variável incerta. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, impulsionada por despesas com educação. No entanto, recuou para 3,81% em 12 meses, ficando abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

O último boletim Focus elevou a estimativa de inflação para 2026 de 3,8% para 4,1%, em função do conflito no Oriente Médio. Isso coloca a inflação ligeiramente abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, podendo chegar a 4,5% com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros, utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), serve como referência para as demais taxas da economia. É o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom eleva a taxa básica de juros, a intenção é conter a demanda aquecida, o que impacta nos preços, pois juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Taxas de juros mais elevadas podem dificultar a expansão econômica. Contudo, além da Selic, os bancos consideram outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Com a redução da Selic, a tendência é que o crédito se torne mais acessível, incentivando a produção e o consumo, afrouxando o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Com o novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação a ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta é apurada mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2026, a inflação desde abril de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.

Em abril de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2026 em 3,5%, mas a estimativa deve ser revista. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março.

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Com informações da Agência Brasil