A presença de profissionais com mais de 50 anos no mercado de trabalho tem mostrado um crescimento constante entre janeiro e novembro de 2025. Essa tendência foi identificada em um levantamento sobre admissões nos setores de comércio e serviços, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Entre as 5,88 milhões de admissões formais registradas no período, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 9% foram de trabalhadores com mais de 50 anos. Em 2021, essa participação era de 7%.
A maior parte das admissões, 48%, foi de trabalhadores com até 29 anos, enquanto 43% tinham entre 30 e 49 anos.
Setor de Serviços e Comércio
De acordo com a FecomercioSP, o setor de serviços concentra a maior proporção de trabalhadores com mais de 50 anos, com 10% das contratações até novembro, em comparação a 8% no comércio atacadista.
No comércio varejista, predominam os trabalhadores mais jovens, com 57% das contratações sendo de pessoas com até 29 anos. No entanto, a participação de trabalhadores com mais de 50 anos no varejo subiu de 5% para 8% entre novembro de 2021 e 2025. Por outro lado, a presença de jovens caiu de 60% para 56%.
“O aumento da presença de profissionais com mais de 50 anos nas admissões está associado ao envelhecimento da população economicamente ativa, à maior permanência dessas pessoas no mercado e à valorização, por parte das empresas, de atributos como experiência, estabilidade e menor rotatividade. Esses fatores são particularmente importantes nos setores de Comércio e Serviços, que enfrentam elevados custos associados ao turnover”, afirma a FecomercioSP.
Participação Feminina
O estudo também revelou que, entre janeiro e novembro de 2025, nos setores de comércio e serviços, foram contratadas 3,15 milhões de mulheres e 2,73 milhões de homens.
Comparando com o mesmo período de 2021, a participação feminina aumentou 3 pontos percentuais, passando a representar 54% das admissões.
No comércio, o varejo tem 55% das contratações ocupadas por mulheres, enquanto no atacado, os homens ainda predominam com 60%. Nos serviços, as mulheres representam 54% do total contratado.
“A maior participação feminina reflete transformações estruturais no mercado de trabalho e na sociedade brasileira, como a expansão de atividades intensivas em atendimento, vendas e serviços administrativos, além do avanço da escolaridade média das mulheres e de mudanças nos arranjos familiares e sociais”, explica a FecomercioSP.
Escolaridade
Os dados indicam que o ensino médio completo é o nível de formação mais comum entre as admissões no comércio e nos serviços, representando 68% das contratações entre janeiro e novembro de 2025.
Profissionais com até o ensino médio representam 15% das admissões, enquanto aqueles com ensino superior somam 17%. O setor de Serviços concentra a maior proporção de profissionais com nível superior, com 20%.
“Apesar de um leve aumento da participação de pessoas com menor nível de escolaridade e estabilidade do contingente com nível superior, os números apontam para uma consolidação do ensino médio como o principal nível de escolaridade exigido pelo mercado”.
“Esse comportamento evidencia que o crescimento do emprego ocorre, majoritariamente, em funções de média qualificação, reforçando a importância de políticas de formação técnica e qualificação profissional alinhadas com as necessidades dos setores”, destaca a entidade.
Impactos, Tendências e Desafios
Para a FecomercioSP, a transição do perfil das contratações traz reflexos significativos para os setores, exigindo adaptação das políticas de gestão de pessoas, ambientes de trabalho mais inclusivos e estratégias de atualização contínua de competências.
Esse movimento também está associado a um contexto de escassez relativa de mão de obra, especialmente em ocupações operacionais e de média qualificação, o que tem levado as empresas a ampliarem o público potencial de contratação, com mais valorização de trabalhadores mais experientes e manutenção do ensino médio completo como principal patamar de escolaridade exigido.
“Além disso, as mudanças estruturais da sociedade brasileira, marcadas pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho, pelo avanço da autonomia econômica feminina e por transformações nos arranjos sociais e familiares, contribuem de forma substancial para a ampliação da presença dessa parcela da população nas admissões, principalmente no comércio e nos serviços”.
Com informações da Agência Brasil