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Diretor Jurídico do BRB deixa cargo após caso Banco Master

(via Agência Brasil)

| Edição de 10 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 10 de fevereiro de 2026

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O Banco de Brasília (BRB) anunciou a renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo do cargo de diretor Jurídico da instituição. A saída do executivo, conforme comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), será efetivada no próximo sábado (14).

O BRB, em nota, reafirmou seu compromisso com a ética, responsabilidade e transparência, prometendo manter acionistas e o mercado informados sobre eventos relevantes. No entanto, não foram divulgados os motivos da renúncia nem o nome do sucessor para a Diretoria Jurídica.

A saída de Veloso ocorre em meio a uma crise no BRB, após o envolvimento da instituição com o Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.

Histórico de Jacques Veloso

Jacques Veloso assumiu o cargo de diretor Jurídico em agosto de 2024, por indicação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para completar o mandato iniciado em 2022. Ele já fazia parte da governança do banco como membro do Comitê de Auditoria.

Nova Diretoria

Na mesma segunda-feira, o BRB anunciou a posse de Ana Paula Teixeira como nova diretora executiva de Controles e Riscos. A executiva possui uma carreira consolidada no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil.

O BRB destacou que a nomeação de Ana Paula visa fortalecer a governança corporativa, a integridade institucional e a gestão de riscos e controles internos.

Banco Master e Investigações

A renúncia de Veloso e as mudanças na diretoria ocorrem após investigações revelarem operações irregulares entre o BRB e o Banco Master. Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu duas carteiras de crédito do Master, totalizando R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos superfaturados ou inexistentes, segundo as apurações.

Em 2025, o BRB manifestou intenção de adquirir o controle do Banco Master. A operação foi aprovada pelo Cade, mas rejeitada pelo Banco Central. Pouco depois, o Banco Master foi liquidado.

Depoimentos à Polícia Federal indicam que as operações com o Banco Master causaram um rombo de aproximadamente R$ 5 bilhões no BRB.

Parecer Técnico e Vídeo

A renúncia de Veloso seguiu-se à divulgação de um parecer jurídico, assinado por ele, alertando sobre os riscos nas operações entre o BRB e o Banco Master. No documento, Veloso destacou a importância de observar os índices de liquidez e de Basileia para garantir a estabilidade financeira.

Apesar do alerta, Veloso gravou um vídeo interno defendendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, afirmando que "todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados".

Plano de Recomposição

Para enfrentar a crise de credibilidade e reforçar a liquidez, o BRB apresentou ao Banco Central um plano de capital com medidas para recompor o patrimônio em até 180 dias. O aporte mínimo necessário pode chegar a R$ 5 bilhões.

O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, acompanha de perto a situação, com o plano sendo entregue pessoalmente pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, em reunião no Banco Central.



Com informações da Agência Brasil