ECONOMIA

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Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, revela IBGE

(via Agência Brasil)

| Edição de 03 de março de 2026 | Atualizado em 03 de março de 2026

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A economia brasileira apresentou um crescimento de 0,1% no quarto trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior. Com esse desempenho, o ano de 2025 encerrou com uma expansão de 2,3%, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento econômico.

Os dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB), que representa o total de bens e serviços produzidos no país, foram divulgados na manhã desta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em termos de valores correntes, o PIB brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB per capita, que é o valor do PIB dividido pela população do país, alcançou R$ 59.687, representando um crescimento real de 1,9% em comparação com 2024.

Ambos, o PIB corrente e o per capita, atingiram o maior nível já registrado na série histórica do IBGE, iniciada em 1996.

Desempenho Econômico nos Últimos Anos

O crescimento da economia brasileira nos últimos cinco anos foi o seguinte:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Destaques do PIB

O cálculo do PIB pode ser feito pela ótica da produção, que analisa o desempenho das atividades econômicas, ou do consumo, que considera gastos e investimentos.

Pela perspectiva da produção, todas as atividades apresentaram crescimento, com destaque para a agropecuária.

  • Agropecuária: 11,7%
  • Serviços: 1,8%
  • Indústria: 1,4%

O crescimento expressivo da agropecuária é atribuído ao aumento na produção e ganhos de produtividade em diversas culturas, como milho (23,6%) e soja (14,6%), que atingiram recordes em 2025.

Na indústria, a extração de petróleo e gás foi um dos destaques, contribuindo para que o valor adicionado das indústrias extrativas encerrasse o ano com alta de 8,6%. A construção civil manteve-se estável, com uma leve variação positiva de 0,5%.

O setor de serviços também apresentou crescimento em todas as atividades, conforme dados do IBGE, com destaque para:

  • Informação e comunicação: 6,5%
  • Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados: 2,9%
  • Transporte, armazenagem e correio: 2,1%
  • Outras atividades de serviços: 2,0%
  • Atividades imobiliárias: 2,0%
  • Comércio: 1,1%
  • Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social: 0,5%

A agropecuária teve um peso significativo de 32,8% no crescimento do PIB em 2025. As quatro atividades que mais contribuíram para a expansão econômica foram agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviço e informação e comunicação, somando 72% do crescimento do PIB do ano passado.

Consumo das Famílias

Do ponto de vista do consumo, o segmento de consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, impulsionado pela melhora no mercado de trabalho, aumento do crédito e programas governamentais de transferência de renda.

Apesar do crescimento, houve uma desaceleração em relação a 2024, quando o segmento avançou 5,1%. A principal razão para essa desaceleração, segundo o IBGE, foi a política monetária contracionista, caracterizada por altas taxas de juros.

O consumo do governo aumentou 2,1% em 2025. A Formação Bruta de Capital Fixo, que representa o volume de investimentos, cresceu 2,9%, impulsionada pelo aumento da importação de bens de capital, desenvolvimento de software e crescimento na indústria da construção.

A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB, ligeiramente abaixo dos 16,9% de 2024. A taxa de poupança foi de 14,4% em 2025, comparada a 14,1% em 2024.

Análise do Último Trimestre

No quarto trimestre, a variação de 0,1% em relação ao terceiro trimestre revelou, pela ótica do consumo, que os serviços e a agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria recuou 0,7%.

Pela ótica da despesa, o consumo do governo cresceu 1%, enquanto o das famílias permaneceu estável. A Formação Bruta de Capital Fixo caiu 3,5%.

"O PIB manteve-se estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, devido à estabilidade do consumo das famílias e ao crescimento no consumo do governo", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Impacto do Aperto Monetário

O aperto monetário que desacelerou o PIB em 2025 está relacionado à alta taxa de juros. Em setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou uma elevação da taxa básica de juros, a Selic, de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse patamar até o momento.

A meta de inflação do governo é de 3% ao ano, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, ficou fora do intervalo de tolerância por 13 meses, abrangendo praticamente todo o ano de 2025.

A Selic, ao ser elevada, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo, impactando a economia de forma restritiva. O efeito esperado é a redução na procura por produtos e serviços, ajudando a controlar a inflação, mas também desacelerando a geração de empregos.

Apesar dessas pressões, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, conforme dados do IBGE.

Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Entendendo o PIB

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade durante um determinado período. Ele permite analisar o comportamento econômico de um país, estado ou cidade, além de possibilitar comparações internacionais.

O cálculo do PIB é realizado com base em diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria. Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos pelo preço ao consumidor, incluindo os impostos cobrados.

Embora o PIB seja uma ferramenta importante para compreender a realidade econômica de um país, ele não reflete aspectos como distribuição de renda e qualidade de vida. É possível que um país tenha um PIB elevado e um padrão de vida relativamente baixo, assim como o contrário.



Com informações da Agência Brasil