ECONOMIA

min de leitura

Embraer: tarifaço pode ter impacto similar ao da pandemia de covid-19

(via Agência Brasil)

| Edição de 17 de julho de 2025 | Atualizado em 17 de julho de 2025

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Em meio a um cenário desafiador, a Embraer, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, enfrenta a possibilidade de um impacto econômico significativo devido ao tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil. A empresa, que já sofreu uma queda de 30% na receita durante a pandemia de covid-19, prevê um cenário semelhante caso as tarifas sejam implementadas. Naquela ocasião, a companhia teve que reduzir 20% de seu quadro de funcionários.

O tarifaço pode elevar o preço de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões, resultando em um impacto de R$ 20 bilhões em tarifas até 2030. Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, alerta que essa mudança nos preços pode levar ao cancelamento de pedidos, adiamento de entregas, revisão dos planos de produção, queda na geração de caixa e redução de investimentos.

"Não há como remanejar encomendas de clientes dos Estados Unidos para outros mercados. Avião não é commodity. O maior mercado de avião executivo é nos Estados Unidos. Não tem como reposicionar isso para outros mercados", destacou Gomes em entrevista.

As exportações para os EUA representam 45% da produção de jatos comerciais e 70% de jatos executivos da Embraer. A tarifa de 50% pode inviabilizar essas vendas, segundo o CEO. "Cinquenta por cento de alíquota é quase um embargo. É não é só para a Embraer, é para qualquer empresa. Cinquenta por cento dificultam ou inviabilizam as exportações para qualquer país. É um valor muito elevado. E, para avião, é mais impactante ainda devido ao alto valor agregado do produto", destacou Gomes.

Possibilidade de negociação

O tarifaço também afeta produtores americanos, o que pode abrir espaço para negociações. Gomes menciona que a Embraer tem potencial para comprar US$ 21 bilhões em equipamentos norte-americanos até 2030, o que poderia facilitar um acordo. "Por isso que nós achamos que uma solução negociada é possível", disse Gomes.

Gomes expressou otimismo em relação a um possível acordo entre Brasil e Estados Unidos, similar ao recente acordo entre EUA e Reino Unido, que restabeleceu a tarifa zero para o setor aeronáutico. "Houve concessões de ambas as partes e, no caso do setor aeroespacial, a alíquota era de 10%. A gente está otimista com a situação, e esse exemplo aí do acordo entre o Reino Unido e os Estados Unidos fica como uma boa base para o Brasil também", acrescentou.



Com informações da Agência Brasil