Após 25 anos de intensas negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia finalmente recebeu o aval necessário, trazendo um sopro de otimismo para as entidades empresariais brasileiras. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou a importância deste acordo para a inserção do Brasil no cenário internacional e para o fortalecimento da indústria nacional. Em 2024, o bloco europeu foi responsável por 14,3% das exportações brasileiras, gerando empregos e movimentando a economia.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, vê a aprovação como um passo decisivo, criando condições para a assinatura do acordo e a transformação desse avanço em oportunidades de comércio e investimentos. A expectativa é que o acordo intensifique as relações comerciais com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, ampliando o fluxo comercial em setores como indústria e tecnologia.
Impactos na Indústria Química e Eletroeletrônica
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) considera o acordo um marco estratégico, ampliando o acesso ao mercado europeu e impulsionando a inovação e a sustentabilidade. André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, afirma que o acordo reposiciona a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado.
Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, podendo aumentar as exportações do setor eletroeletrônico para a União Europeia em até 30% no médio prazo.
Reações das Federações das Indústrias
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) celebrou o acordo, mesmo reconhecendo que o texto não é perfeito. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, ressalta a necessidade de inovação e melhoria da produtividade para competir com os europeus.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também comemorou, destacando o potencial de crescimento do PIB industrial brasileiro. Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) pede cautela na análise dos impactos do acordo, especialmente para segmentos mais sensíveis à concorrência externa.
Perspectivas para o Setor Agropecuário
Para Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), o acordo é um avanço significativo, especialmente em um cenário de tarifas impostas por outros países. Ele destaca a necessidade de o governo brasileiro proteger as cadeias produtivas locais, como a do leite em pó, que enfrenta desafios devido à importação desenfreada.
*Colaborou a repórter Flávia Albuquerque
Com informações da Agência Brasil