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Governo Central tem déficit de R$ 48,2 bilhões em junho

(via Agência Brasil)

| Edição de 30 de julho de 2026 | Atualizado em 30 de julho de 2026

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Os gastos do Governo Central com saúde e Previdência resultaram em um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Esse valor representa um aumento em comparação ao mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 44,2 bilhões, sendo o maior registrado para o mês desde 2023, considerando a correção pela inflação.

O Governo Central é composto pelas contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central. O resultado primário leva em conta apenas as receitas e despesas do governo, sem incluir os juros da dívida pública.

Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado atingiu R$ 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB).

Detalhamento do Déficit

O déficit de junho foi composto por:

  • Tesouro Nacional: déficit de R$ 2,45 bilhões;
  • Previdência Social: déficit de R$ 50,47 bilhões;
  • Banco Central: déficit de R$ 155 milhões.

A Previdência Social continua sendo o principal fator de impacto negativo, com despesas que superam as receitas do sistema.

Entendendo o Déficit

O resultado primário é a diferença entre tudo o que o governo arrecada e o que gasta, sem considerar os juros da dívida pública. Quando as receitas superam as despesas, há superávit; quando ocorre o contrário, há déficit. Esse indicador é crucial para avaliar a capacidade do governo de manter as contas públicas equilibradas.

Entre janeiro e junho, o Governo Central acumulou um déficit de R$ 92,2 bilhões, superior ao déficit de R$ 11,3 bilhões no mesmo período de 2025.

No semestre, o saldo foi composto por:

  • Superávit do Tesouro Nacional: R$ 144,3 bilhões;
  • Déficit da Previdência Social: R$ 236,2 bilhões;
  • Déficit do Banco Central: R$ 324 milhões.

Crescimento da Receita

Apesar do déficit, a arrecadação aumentou em junho. A receita líquida do Governo Central somou R$ 195,2 bilhões, um aumento de 10,3% acima da inflação em relação ao mesmo mês de 2025.

Os principais fatores que impulsionaram a arrecadação incluem:

  • Aumento na arrecadação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
  • Crescimento da receita do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
  • Maior arrecadação do Imposto de Importação;
  • Avanço das receitas obtidas com a exploração de recursos naturais, impulsionadas pelos royalties e pela comercialização de petróleo e gás da União.

No acumulado do ano, a receita líquida alcançou R$ 1,255 trilhão, um crescimento real de 5,6%.

Aumento das Despesas

As despesas também cresceram. Em junho, os gastos totais chegaram a R$ 243,4 bilhões, um aumento real de 9% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Os principais aumentos ocorreram em:

  • Benefícios previdenciários;
  • Ações na área da saúde;
  • Abono salarial e seguro-desemprego;
  • Despesas com pessoal;
  • Créditos extraordinários, incluindo medidas ligadas à política de subsídios ao diesel.

No acumulado do semestre, as despesas totalizaram R$ 1,347 trilhão, um crescimento real de 12,3%, ritmo superior ao da arrecadação.

Entre as maiores altas no ano estão:

  • Benefícios previdenciários (+R$ 44,8 bilhões);
  • Despesas discricionárias (+R$ 41,9 bilhões);
  • Precatórios e sentenças judiciais (+R$ 35,6 bilhões);
  • Gastos com o funcionalismo e encargos sociais (+R$ 20,5 bilhões).

Queda nos Dividendos

As receitas de dividendos pagos por empresas estatais diminuíram. Em junho, o governo recebeu R$ 2,39 bilhões, abaixo dos R$ 2,75 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

No acumulado do ano, os dividendos somam R$ 10,47 bilhões, contra R$ 24,95 bilhões no primeiro semestre do ano passado.

Avanço nos Investimentos

Os investimentos federais, que incluem gastos com obras públicas e compra de equipamentos, cresceram em junho. Foram aplicados R$ 7,75 bilhões, um aumento real de 18% sobre o mesmo mês de 2025.

De janeiro a junho, os investimentos alcançaram R$ 49,8 bilhões, um avanço real de 65,7% na comparação anual.

Meta Fiscal

A meta fiscal do governo para 2026 prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. O valor desconsidera gastos com precatórios e algumas despesas com saúde, educação e defesa excluídas da meta.

A legislação permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que o resultado fique zerado ou atinja superávit de 0,5% do PIB sem que a meta seja considerada descumprida.

Na última revisão do Orçamento, o governo projetou encerrar o ano com superávit de R$ 10,8 bilhões após os abatimentos permitidos por lei. Sem esses descontos, a estimativa oficial aponta para um déficit de R$ 52 bilhões.

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Com informações da Agência Brasil