ECONOMIA

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Juros do cartão de crédito rotativo avançam e chegam a 451,5% ao ano

(via Agência Brasil)

| Edição de 29 de setembro de 2025 | Atualizado em 29 de setembro de 2025

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As taxas de juros médias cobradas pelos bancos registraram alta em agosto, tanto para famílias quanto para empresas, conforme revelado pelas Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central em Brasília. No crédito livre para pessoas físicas, o destaque foi o aumento de 5,3 pontos percentuais na taxa do cartão de crédito rotativo, que atingiu 451,5% ao ano.

Mesmo com a limitação de cobrança dos juros do rotativo, vigente desde janeiro do ano passado, as taxas continuam elevadas, variando sem uma queda significativa ao longo dos meses. A medida visa reduzir o endividamento, mas não interfere na taxa de juros acordada no momento da contratação do crédito.

Cartão de Crédito e Parcelamento

Nos últimos 12 meses até agosto, os juros do cartão de crédito rotativo para famílias subiram 24,6 pontos percentuais. O crédito rotativo, que dura 30 dias, é utilizado quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura do cartão, resultando em um empréstimo sobre o valor não quitado. Após esse período, as instituições financeiras parcelam a dívida, e os juros do cartão parcelado caíram 2,7 pontos percentuais no mês, chegando a 180,7% ao ano.

Juros para Famílias e Empresas

A taxa média de juros das concessões de crédito livre para famílias aumentou 0,5 ponto percentual em agosto, acumulando uma alta de 6,6 pontos percentuais em 12 meses, alcançando 58,4% ao ano. Para as empresas, os juros médios nas novas contratações de crédito livre subiram 0,2 ponto percentual no mês e 4,2 pontos percentuais em 12 meses, atingindo 25,2%. Destaca-se a alta mensal de 9,6 pontos percentuais na taxa média de juros das operações de capital de giro com prazo até 365 dias, que chegou a 38% ao ano.

No crédito livre, os bancos têm liberdade para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado, com regras definidas pelo governo, é voltado principalmente para os setores habitacional, rural, de infraestrutura e microcrédito.

Crédito Direcionado

No crédito direcionado, a taxa para pessoas físicas ficou em 11,1% ao ano em agosto, com uma redução de 0,2 ponto percentual em relação a julho e um aumento de 1,1 ponto percentual em 12 meses. Para empresas, a taxa teve uma variação negativa de 0,1 ponto percentual no mês e uma alta de 2,7 pontos percentuais em 12 meses, chegando a 13,6% ao ano.

Impacto da Selic

A elevação dos juros bancários acompanha o ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, e sua elevação visa esfriar a demanda e conter a inflação, encarecendo o crédito e estimulando a poupança.

O próximo encontro do Copom para definir a Selic será em novembro, e a previsão é que a taxa permaneça em 15% ao ano até o final de 2025. O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes, também apresentou alta de 0,3 ponto percentual no mês e 2,2 pontos percentuais em 12 meses.

Concessões de Crédito

Em agosto, as concessões de crédito totalizaram R$ 633,8 bilhões. Nas séries ajustadas sazonalmente, houve uma redução de 0,2% no mês, com uma queda de 2,3% nas operações com pessoas jurídicas e uma expansão de 1,5% com as famílias. Em 12 meses, as concessões nominais cresceram 11,4%, com altas de 14% nas operações com empresas e de 9,3% com pessoas físicas.

O estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 6,757 trilhões, um crescimento de 0,5% em relação a julho, resultado das expansões de 0,2% e 0,7% nas carteiras de crédito para pessoas jurídicas e famílias, respectivamente.

Endividamento e Inadimplência

O crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 19,748 trilhões, com um aumento de 1,1% no mês, refletindo principalmente o acréscimo de 2,8% nos títulos públicos de dívida. Em 12 meses, o crédito ampliado cresceu 11,7%, com avanços nos títulos públicos de dívida (17,0%), nos empréstimos do SFN (9,7%) e nos títulos privados de dívida (17,2%).

Segundo o Banco Central, a inadimplência, que considera atrasos acima de 90 dias, foi de 3,9% em agosto, sendo 4,8% nas operações para pessoas físicas e 2,6% com pessoas jurídicas. O endividamento das famílias, que é a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, ficou em 48,6% em julho, com uma redução de 0,2% no mês e um aumento de 0,7% em 12 meses.

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Banco Central diz que inadimplência foi de 3,9% em agosto, sendo 4,8% nas operações para pessoas físicas e 2,6% com pessoas jurídicas. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O comprometimento da renda, que é a relação entre o valor médio para pagamento das dívidas e a renda média apurada no período, ficou em 27,9% em julho, com um aumento de 0,1% na passagem do mês e 1% em 12 meses. Esses indicadores são apresentados com uma defasagem maior, pois o Banco Central utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Com informações da Agência Brasil