ECONOMIA

min de leitura

Mudanças no IR são necessárias para cumprir arcabouço, diz Haddad

(via Agência Brasil)

| Edição de 12 de agosto de 2025 | Atualizado em 12 de agosto de 2025

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

As mudanças no Imposto de Renda (IR) sobre aplicações financeiras e na tributação de bets são necessárias para cumprir o arcabouço fiscal em 2026, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante audiência na comissão mista que analisa a Medida Provisória 1.303/2025. Esta medida foi editada para compensar as desidratações do decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

"O objetivo é sair da armadilha do déficit crônico que nos acompanha desde 2015", declarou Haddad.

A audiência, inicialmente prevista para a semana passada, foi adiada devido à ocupação dos plenários da Câmara e do Senado por parlamentares da oposição.

Haddad reiterou que as mudanças visam aumentar a tributação sobre os mais ricos, poupando a população de baixa renda.

“Quem não pagava imposto está sendo chamado a contribuir. Vamos distribuir a carga de forma justa, sem penalizar a população de baixa renda”, afirmou.

Embora algumas mudanças, como o endurecimento das contribuições tributárias e o aumento do imposto pago pelas bets, entrem em vigor em 2025, as alterações no Imposto de Renda sobre aplicações financeiras só serão efetivas em 2026, respeitando o princípio da anualidade.

Para 2026, o arcabouço fiscal prevê um superávit primário, com economia de recursos para pagar os juros da dívida pública, de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), além de um limite de crescimento dos gastos até 2,5% acima da inflação de 2025 ou até 70% do crescimento da receita acima da inflação.

A comissão mista que analisa a MP 1.303/2025, instalada em julho, é presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e tem como relator o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP). Esta é a primeira de quatro sessões previstas pela comissão.

Unificação de alíquotas

O ministro defendeu a unificação da alíquota de IR em 17,5% para renda fixa e criptoativos. Segundo ele, a medida é neutra para a dívida pública, mas promove o equilíbrio tributário entre os investidores.

“O objetivo é fechar brechas, garantir concorrência justa e assegurar que o ajuste fiscal seja feito preservando o crescimento, com inflação e desemprego em baixa”, destacou Haddad.

O ministro negou que a nova tributação desestimulará o investimento a partir de 2026.

Sobre a elevação de 12% para 18% da contribuição sobre o faturamento paga por empresas de apostas esportivas, o ministro classificou a proliferação de bets como “problema de saúde pública”. Além disso, o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs visa eliminar distorções entre grandes bancos e fintechs de alto faturamento.

Mudanças

As estimativas da Receita Federal para a arrecadação com a nova MP são:

  • Endurecimento de critérios para pedir compensações tributárias: R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 10 bilhões em 2026.
  • Elevação de 15% para 20% do Imposto de Renda retido na fonte sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP): R$ 4,99 bilhões em 2026.
  • Elevação de 12% para 18% de imposto sobre o faturamento das bets: R$ 285 milhões em 2025 e R$ 1,7 bilhão em 2026.
  • Elevação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre fintechs de 9% para 15%: R$ 263 milhões em 2025 e R$ 1,58 bilhão no próximo ano.
  • Fim de isenção de Imposto de Renda para títulos privados incentivados (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas): R$ 2,6 bilhões aos cofres públicos em 2026.

Em relação às medidas que limitam as despesas, a MP trouxe as seguintes mudanças:

  • Inserção do programa Pé-de-Meia no piso constitucional da educação;
  • Limitação a 30 dias de benefícios por incapacidade temporária a benefícios concedidos pelo Atestmed, sistema de atestado médico digital do INSS. Após esse prazo, será exigida perícia médica presencial;
  • Teto para a compensação financeira que a União paga a regimes de previdência dos servidores estaduais e municipais para incorporar o tempo de serviço no INSS, com valor limitado à verba definida na sanção do Orçamento;
  • Ajustes nos critérios para a concessão de Seguro Defeso, auxílio para pescadores durante o período do defeso, com homologação do registro de pescador pela prefeitura e teto limitado ao valor definido na sanção do Orçamento.

?

Com informações da Agência Brasil